Preso por assassinar a ex-companheira e o então namorado dela, Carlos Bezerra, o “Carlinhos”, teve o pedido para trocar o local do seu júri popular negado pelo Tribunal de Justiça (TJMT). Em sessão realizada nesta quinta-feira (16), a Turma de Câmara Criminais Reunidas rejeitou solicitação de desaforamento feito por Carlinhos. Com isso, ele se sentará no banco dos réus na Comarca de Cuiabá.
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Após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitar nova tentativa de Carlinhos em anular o júri, sua defesa acionou o Tribunal de Justiça (TJMT) pedindo a transferência sustentando que o caso causou muita comoção social na capital e, por isso, deveria ser remetido à outra comarca, o que foi indeferido. Agora, resta a 1ª Vara Criminal de Cuiabá designar uma data para o júri.
Carlinhos, filho do ex-deputado Carlos Bezerra, está preso acusado de feminicídio qualificado contra Thays Machado e homicídio qualificado contra Willian Cesar Moreno. Por não aceitar o término com ela, Carlinhos a perseguiu e armou uma emboscada no dia 18 de janeiro de 2023.
Conforme apurado durante a investigação policial, Carlos manteve um relacionamento amoroso por cerca de dois anos com a vítima Thays Machado, chegando a morar com a vítima. E, desde o início, ele se mostrou controlador e possessivo por vigiar cuidadosamente cada movimento dela, incluindo o telefone celular e as redes sociais.
Em dezembro de 2022, Thays rompeu o relacionamento. Desconfiado de que ela estava com outro, o denunciado “passou a vigiá-la mais intensamente ainda, monitorando-a a todo tempo através de ligações, aplicativos de rastreamento, já planejando a sua morte”.
Utilizando os mecanismos de rastreamento a que tinha acesso, Carlos a seguiu até Várzea Grande, acompanhou o desembarque do namorado, e seguia o carro na volta quando foi percebido pelo casal. A mulher ligou para o Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp), registrou o caso na Central de Flagrantes, mas Carlos conseguiu fugir.
Na data dos fatos, durante a tarde, Thays e Willian foram até o prédio da mãe dela, Solar Monet, em Cuiabá, para devolver o carro. Depois de deixar as chaves do veículo da mãe na portaria do prédio, Thays e Willian caminharam até a calçada na frente do edifício para chamar um Uber. Carlinhos surpreendeu o casal neste momento, quando passou em seu carro disparando diversos tiros de pistola, os quais atingiram Thays e Willian, que não resistiram e faleceram na porta do edifício.
Nos bastidores, o caso de Thays é sensível, já que ela era servidora e tinha relacionamento com os milhares de funcionários e os magistrados da Corte, que, inclusive, a homenageou ao batizar o Núcleo de Atendimento a Magistradas e Servidoras Vítimas de Violência Doméstica de “Thays Machado”.