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Operação revela planejamento de facção para executar acusado de abuso sexual de neta: 'um tarado pra pegar hoje'

Da Redação - Arthur Santos da Silva

Investigações da Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso, conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), revelaram a existência de um sistema de "justiça paralela" operado pela facção Comando Vermelho (CV) em Várzea Grande. Mensagens extraídas de aparelhos celulares de líderes da organização detalham o planejamento para a execução de um homem, referido pelos criminosos como “tarado”, acusado de abusar sexualmente da própria neta.

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O caso ocorreu em janeiro de 2024, no Residencial Isabel Campos, localidade conhecida como "Complexo" e sob forte domínio territorial da facção. Segundo o relatório policial, o investigado Antônio Luciano Galdino Santos, vulgo "Ceará", atuava como o braço disciplinar do grupo, submetendo crimes ocorridos na comunidade ao crivo da organização.

Em diálogos registrados em grupos de mensagens, "Ceará" comunicou aos seus comparsas que havia "um tarado pra pegar hoje", demonstrando impaciência para realizar a captura. O suspeito do abuso, um idoso que estaria escondido no bairro Mapim, foi alvo de uma deliberação interna para que sua morte fosse autorizada pela alta cúpula da facção.

A investigação aponta que, mesmo para execuções justificadas pelo código de "disciplina" interno, os líderes locais necessitam de autorização, termo chamado de "aval", de instâncias superiores. Conforme trecho do relatório da Polícia Civil, Ceará informou que aguardava a “liberação pra ir buscar ele lá”.

A motivação pessoal também transpareceu nas conversas. Em uma das mensagens, Ceará afirmou que a descoberta do abuso o deixou abalado por também ser pai: “Até arrepia, mano eu sou pai de duas crianças e a prova é essa aí”. Outros membros da organização, como Dyoney Wesley Silva Flores (vulgo D.W.) e Bruno César Amorim Santos (vulgo Vasco), endossaram a sentença de morte. Segundo trecho da investigação, D.W. declarou: “Se os mano lá do Mapim autorizou pegar esse pilantra aí, pega ele e sumi com ele”.

A atuação da facção no Residencial Isabel Campos extrapola a punição de crimes sexuais. Os dados revelaram que o grupo exerce uma "governança criminal", decidindo quem pode morar no conjunto habitacional e mobilizando moradores para monitorar a presença de forças policiais.

Diante das evidências de que a liberdade dos investigados representava um risco concreto à ordem pública e à vida de terceiros, a Justiça decretou a prisão preventiva dos envolvidos na Operação Ruptura CPX. A magistrada Henriqueta Fernanda Chaves Alencar Ferreira Lima, do Juízo das Garantias de Cuiabá, fundamentou a necessidade da custódia para interromper a atuação da rede criminosa.

A operação policial também resultou no bloqueio de bens e na apreensão de armas e drogas, visando desarticular o suporte financeiro e bélico que sustenta o poder paralelo da facção na região metropolitana de Cuiabá
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