Imprimir

Notícias / Administrativo

Conselheiro nega suspensão de projeto do Ministério Público que recebeu R$ 2,7 milhões de empresas privadas

Da Redação - Arthur Santos da Silva

O Conselheiro Clementino Augusto Ruffeil Rodrigues, do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), indeferiu nesta segunda-feira (30) um pedido de liminar que buscava suspender o projeto institucional “Diálogos com a Sociedade”, do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPE). A decisão ocorre após questionamentos sobre a legalidade do financiamento da iniciativa por empresas privadas, algumas das quais são alvos de investigações conduzidas pelo próprio órgão estadual.

Leia também 
Justiça mantém suspensão de processo contra Meraldo Sá, mas autoriza leilão de gado para abater dívida de R$ 254 mil


O pedido de providências foi protocolado pelo procurador de Justiça José Antônio Borges Pereira. Ele alega que o projeto teria arrecadado, entre 2024 e 2025, o montante de R$ 2.702.819,99 por meio de doações e patrocínios de grandes grupos econômicos. Segundo a denúncia, os recursos eram geridos pela Associação Mato-grossense do Ministério Público (AMMP), que atuaria como intermediária financeira da Procuradoria-Geral de Justiça.

Entre as empresas patrocinadoras citadas estão Aprosoja, Ginco, Energisa, Amaggi e Grupo Bom Futuro. O autor da representação destaca um possível conflito de interesses, uma vez que essas corporações figuram em Inquéritos Civis e Ações Civis Públicas movidas pelo Ministério Público local. Para o peticionante, a prática gera desconforto em promotores de Justiça que precisam atuar contra "parceiras" da instituição.

Em sua defesa, o Ministério Público de Mato Grosso argumentou que a edição de 2026 do projeto foi reformulada e não conta com a participação da associação de classe (AMMP) nem com a transferência de recursos financeiros de entes privados. O órgão assegurou que sua atuação finalística permanece independente e combativa contra qualquer empresa, independentemente de apoios em projetos sociais.

Ao analisar o caso em "cognição sumária", o relator considerou que não há risco imediato que justifique a suspensão urgente do projeto. Segundo o conselheiro, as mudanças adotadas pelo MPE para o ciclo atual mitigam o perigo de irregularidades patrimoniais.

Em um dos pontos centrais da fundamentação, o relator observou que “a nova edição prescinde da participação da associação de classe (AMMP) e de transferências diretas de recursos”.

Com o indeferimento da liminar, o processo segue para análise de mérito. O relator determinou que o Ministério Público de Mato Grosso seja intimado para apresentar informações detalhadas sobre o caso no prazo de 15 dias úteis.

Somente após essa fase e a manifestação de outros órgãos de controle é que o plenário do CNMP decidirá sobre a compatibilidade definitiva dessas parcerias com o regime jurídico da instituição.
Imprimir