“Não beberia mais. Queria voltar no tempo”, disse Talita Canavarros Soares ao Tribunal do Júri de Barra do Bugres. Ela e o então companheiro, Francinaldo José da Silva, estão sendo julgados nesta terça-feira (24) sob acusaçãode terem assassinado o próprio filho do casal, um bebê de apenas 1 mês e nove dias, em janeiro de 2021.
Leia mais:
Suspeito de assassinar bebê de um mês, pai minimiza participação e tenta culpabilizar a esposa: 'ela, na bebida, talvez'
A defesa perguntou se ela faria algo diferente se pudesse voltar no tempo. Talita respondeu: “Não beberia mais. Graças a Deus estou sendo liberada agora, mas queria voltar no tempo”. Talita afirmou ainda que deveria ser responsabilizada pela queda da criança: “Passei esses anos todos tentando me perdoar”.
Em seguida, disse que não havia dúvida quanto à paternidade do bebê e que não pôde registrá-lo com o nome de Francinaldo na certidão porque ele estava trabalhando na época, ressaltando ainda que ele era um homem atencioso e cuidava bem do filho: “Pai é marido excelente”.
Durante o interrogatório, a ré também descreveu o estado de choque ao encontrar o bebê sem vida e justificou que não solicitou socorro imediato por estar desorientada e embriagada. Embora tenha confessado a culpa pela queda da criança, o que culminou na sua morte, Talita negou que tenha o feito intencionalmente.
Negou ainda a possibilidade de ter limpado a casa ou ter feito qualquer alteração na cena do crime, bem como rejeitou a possibilidade de que a criança pudesse ter sido espancada em ocasiões anteriores.
Talita e Francisnaldo estão sendo julgados nesta terça-feira (24) pelo homicídio qualificado do próprio filho, ocorrido em 2 de janeiro de 2021, em Barra do Bugres.
Em seu depoimento, o acusado alegou que a criança sofreu uma queda acidental enquanto estava com a mãe, admitindo ter sido negligente ao não procurar socorro médico imediato. Ele descreveu o consumo de bebidas alcoólicas pelo casal e tentou jogar suspeitas sobre o comportamento da companheira.
Ao ser questionado pelo Ministério Público se teria coragem de assassinar o filho, Francisnaldo tentou culpabilizar Talita: “ela, na bebida, talvez”.
O réu também rebate acusações de maus-tratos anteriores e nega ter presenciado a limpeza de vestígios de sangue no local do crime, embora a perícia tenha encontrado vestígios de agressões pretéritas à morte, bem como manchas de sangue da criança pela casa.
Francinaldo tenta minimizar sua responsabilidade direta na fatalidade, embora reconheça sua omissão crítica após o incidente. “Eu sei que tenho culpa. Eu deveria ter chamado o Samu, mas não passou pela minha cabeça”.
Ambos respondem pelos crimes previstos pelo artigo 121, §2º, inciso IV (Código Penal): homicídio qualificado, quando a pessoa mata outra usando um meio que dificulta ou impede a defesa da vítima. E também pelo Artigo 347, parágrafo único (Código Penal) pela adulteração ou manipulação de provas.
De acordo com a denúncia, o crime ocorreu na manhã do dia 2 de janeiro de 2021, em uma residência em Barra do Bugres. Conforme apurado no inquérito policial, a criança foi encontrada já sem vida, apresentando sinais de sangramento no nariz e na boca.
De acordo com a denúncia do Ministério Público do Estado de Mato Grosso, os acusados, que são os genitores da vítima, teriam causado lesões na criança, que foram confirmadas por laudo de necrópsia como causa da morte. O documento também indica que a vítima sofreu traumatismo craniano, seguido de hemorragia e convulsão.
Ainda segundo a denúncia, os réus teriam ingerido bebida alcoólica por várias horas no dia dos fatos e, posteriormente, deixado de prestar os cuidados necessários à criança. Há indícios de que, após a lesão, o bebê foi deixado sobre a cama enquanto os acusados dormiam, o que teria contribuído para o agravamento do quadro clínico e, consequentemente, para a morte.
O procedimento investigatório também aponta que houve tentativa de alterar a cena do crime. Perícia realizada no local identificou vestígios de sangue na varanda da residência, além de marcas em roupas e objetos, divergentes da posição em que o corpo foi encontrado. Para a acusação, os denunciados teriam modificado o ambiente com o objetivo de induzir peritos e policiais a erro, simulando uma situação diversa da ocorrida.