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Notícias / Criminal

Justiça absolve militar acusado de esconder celular de lobista para encobrir esquema de venda de sentenças no TJ

Da Redação - Pedro Coutinho

A Justiça de Mato Grosso absolveu o ex-sargento da Polícia Militar Dejair Silvestre dos Santos de obstruir as investigações da Operação Sisamnes, deflagrada para desbaratar esquema de corrupção no Poder Judiciário, descoberto a partir da varredura feita no celular do advogado Roberto Zampieri, executado em 2023. Dejair foi preso em 3 de outubro, quando a Polícia Federal vasculhou a mansão do lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, acusado de ser o líder das negociações de sentenças em tribunais estaduais e no Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao lado de Zampieri.

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A defesa técnica do ex-militar informou a decisão e destacou pela falta de elementos de prova que pudessem demonstrar a prática do crime imputado, especialmente no que se refere ao dolo específico exigido pelo tipo penal de embaraço à investigação de organização criminosa.
 
Foi reconhecido pelo juízo a procedência da tese defensiva, destacando a inexistência de provas judicializadas aptas a embasar eventual condenação, bem como a fragilidade dos elementos produzidos exclusivamente na fase investigativa.  Dejair ficou preso por mais de 160 dias e, com a absolvição, a defesa aguarda sua liberação nos próximos dias. Absolvição foi informada pelo advogado Lucas André Curvo de Carvalho Teles Figueiredo.

No dia do cumprimento do mandado de busca e apreensão na casa de Andreson, em Primavera do Leste, onde ele cumpria prisão domiciliar por suposta debilitação do seu estado de saúde, Dejair teria tentado impedir que os agentes federais acessassem o celular dele – o que não se comprovou.

Dejair já havia sido detido em 31 de dezembro de 2008, acusado de colaboração com o tráfico de drogas prevalecendo-se de função pública e violação de sigilo funcional. Na Justiça Estadual, esse processo tramita sob sigilo, mas a reportagem conseguiu acessar um habeas corpus em que ele buscava a revogação da prisão no Superior Tribunal de Justiça, que, por ordem do então ministro Napoleão Nunes Maia Filho, lhe negou o pedido já em setembro de 2009.

As investigações da PF começaram em agosto de 2024, após a apreensão do celular do advogado Roberto Zampieri, assassinado a tiros em 2023, em frente ao seu escritório situado no bairro Bosque da Saúde, Cuiabá. Nas mensagens encontradas no “Iphone Bomba”, surgiram indícios de negociação de decisões judiciais, o que levou ao afastamento dos desembargadores Sebastião de Moraes Filho e João Ferreira Filho, e do juiz Ivan Lúcio Amarantes, ainda naquele ano. Já no mês passado foi a vez do desembargador Dirceu dos Santos ser afastado do cargo, pelos mesmos indícios.

Segundo a Polícia Federal, o lobista Anderson de Oliveira Gonçalves atuava como principal intermediário e beneficiário do esquema milionário, aproximando advogados dos magistrados, inclusive do STJ, o que levou o Supremo a avocar caso. Roberto Zampieri era o principal advogado que operava as negociações milionárias com Andreson, que inclusive, detinha acesso direto com servidores lotados em gabinetes de ministros do Superior.
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