Corregedoria Nacional de Justiça revelou detalhes de um suposto esquema de corrupção no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) envolvendo o desembargador Dirceu dos Santos. A investigação, que fundamentou o afastamento cautelar do magistrado nesta segunda-feira (2), aponta que o advogado e lobista Roberto Zampieri, assassinado em 2023, transferiu cerca de R$ 600 mil para o empresário Luciano Amaral, apontado como intermediário do juiz.
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A quebra de sigilo bancário também detectou um repasse de R$140 mil realizado pela construtora de Luciano diretamente para a conta da esposa do desembargador, Carla Patrícia Monteiro dos Santos.
Fluxo financeiro
De acordo com os relatórios da Polícia Federal e da Corregedoria, Roberto Zampieri utilizava Luciano Amaral, registrado no celular do advogado com a alcunha de “IRMÃO GÊMEO – DD”, como ponte para negociar decisões judiciais.
Entre os anos de 2020 e 2023, a investigação mapeou uma série de depósitos que totalizam aproximadamente R$ 600 mil, realizados por Zampieri em favor de Luciano e de empresas ligadas ao seu filho.
Os investigadores ressaltam que as operações financeiras eram realizadas pela secretária de Zampieri, muitas vezes sem que houvesse uma justificativa legal ou contrato de prestação de serviço que explicasse a origem dos valores.
Depósito direto
Um dos pontos mais sensíveis da investigação refere-se a uma transferência de R$ 140 mil, efetuada em 28 de março de 2024. O valor saiu da conta da Veritas Construtora e Incorporadora Ltda, empresa controlada por Luciano Amaral, e foi depositado diretamente para Carla Patrícia Monteiro dos Santos, atual esposa do desembargador Dirceu dos Santos.
Para os órgãos de controle, essa transação é um indício robusto de que o magistrado utilizava familiares para ocultar o recebimento de vantagens indevidas.
Suspeita de lavagem de dinheiro
A complexidade das movimentações levou a Corregedoria a enquadrar o caso em uma possível situação "de lavagem de capitais na modalidade dissimulação". Esse termo jurídico refere-se ao ato de esconder ou disfarçar a natureza, origem ou localização de bens e valores provenientes de infrações penais.
Além desses repasses, a investigação apontou que Dirceu dos Santos e Luciano Amaral foram sócios formais em uma empresa de estética em Cuiabá entre 2022 e 2024, reforçando os laços econômicos entre o julgador e o suposto operador do esquema.
Diante da gravidade das provas, o CNJ determinou a remessa de cópia integral do processo para a Procuradoria-Geral da República (PGR) para que sejam tomadas as providências criminais necessárias.