Os produtores rurais Julinere Goulart Bentos e Cesar Sechi, casal acusado de mandar assassinar o advogado Renato Nery, irão depor nesta quarta (4) e quinta-feira (5) perante a 14ª Vara Criminal de Cuiabá. Os militares que respondem por intermediar o crime, Jackson Pereira Barbosa e Ícaro Santos Ferreira, também serão inquiridos. Nery foi executado a tiros em julho de 2024, em Cuiabá, enquanto chegava em seu escritório.
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Em ordem proferida no dia 2 de fevereiro, o juiz João Bosco Soares da Silva acatou pedido feito pela defesa de Jackson, patrocinada pelos advogados Renato Carneiro e Leonardo Salles, que solicitou a mudança na data para que pudesse ser franqueada ao acesso irrestrito aos documentos e elementos probatórios de todos os processos correlatos que envolvem a morte de Nery, designando o ato para esta semana.
Na primeira sessão foram ouvidas as testemunhas de Ícaro e Jackson. No dia seguinte, mesmo horário, as testemunhas do casal e, por fim, nesta quarta e quinta, o casal Julinere e Cesar e os militares serão interrogados. Em manifestação assinada no domingo, a defesa da dupla da Rotam apontou a irresignação com a realização da instrução sem que ordem do Tribunal de Justiça, que ordenou o acesso completo e irrestrito às defesas sobre todos os documentos e dados do processo, fosse integralmente cumprida.
O advogado Renato Nery foi assassinado a tiros no dia 5 de julho. A motivação do crime está atrelada a uma disputa de 12 mil hectares de terras, avaliados em mais de R$ 40 milhões. O casal mandante do crime, Cesar Sechi e Julinere Goulart, está preso.
Segundo o Ministério Público, eles compõem o “núcleo de comando”, que agiu contrariado pela vitória de Nery na briga fundiária. Julinere confessou informalmente que tramou a execução depois de não aguentar mais seu marido reclamar que Nery havia roubado suas terras. Jackson, por sua vez, mora no mesmo condomínio que o casal, em Primavera do Leste. Foi então que ele se inseriu na trama.
As investigações concluíram que Jackson e Ícaro intermediaram o assassinato, sendo o primeiro como o principal intermediário entre o casal mandante, e o núcleo executor composto pelo também agente militar Heron Teixeira e o seu caseiro, Alex Cardoso. Foi Jackson que ofereceu o “serviço” a Heron mediante R$ 200 mil.
Além de oferecer a grana pela cabeça de Nery, a mando do casal, Jackson também repassou informações cruciais aos executores: como o endereço do escritório, horários de deslocamentos e detalhes da empreitada.
Ícaro, também da Rotam, forneceu a arma usada na execução: uma Glock adaptada, modelo G17, calibre 9mm, automatizada para disparos em rajada. Ele a entregou a Heron no próprio batalhão, em Cuiabá. Importante ressaltar que a arma em questão e as munições eram da PM, o que, para os promotores, evidenciou uma estrutura criminosa dentro da corporação.
Além disso, Ícaro agiu como intermediador financeiro: Jackson lhe entregou dois envelopes com R$ 40 e R$ 50 mil, vivos, e ele repassou o montante a Heron em notas de duzentos e cem reais no bairro Chapéu do Sol, Várzea Grande, depois da execução. Quem puxou o gatilho na manhã do dia 5 de julho foi o caseiro de Heron, Alex Roberto de Queiroz Silva (já denunciado), que se posicionou em frente ao escritório de Nery e efetuou sete disparos em modo rajada (automático) direcionados à sua cabeça, surpreendendo-o e dificultando sua defesa.