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Abilio responde Jeferson sobre conexões entre Câmara e Comando Vermelho e afirma que ‘carapuça serviu’ no vereador

Da Redação - Pedro Coutinho

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), apresentou resposta à interpelação judicial movida pelo vereador Jeferson Siqueira (PSD), na qual é questionado sobre declarações feitas em novembro de 2024, quando levantou a suspeita sobre suposta interferência do Comando Vermelho na Câmara de Cuiabá. A réplica foi acostada por Brunini nesta quarta-feira (18).

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O embate entre os dois teve início durante a disputa pela presidência da Mesa Diretora da Câmara de Cuiabá. Jeferson se lançou candidato ao comando do Legislativo, enquanto Abilio apoiou o grupo liderado por Paula Calil (PL), eleita para o cargo.
 
Durante o período, Abilio, então deputado federal, afirmou que não aceitaria “forças externas” na eleição e declarou que não entregaria a Mesa Diretora ao Comando Vermelho. Jeferson entendeu que as declarações seriam direcionadas a ele e passou a cobrar retratação pública.
 
Após a repercussão, o coordenador do Gaeco, Adriano Roberto Alves, afirmou que nenhum dos políticos investigados por receber apoio financeiro de facção criminosa era de Cuiabá. Mesmo assim, o vereador ingressou com interpelação judicial para que o prefeito comprovasse as afirmações.
 
A manifestação de Brunini foi protocolada após o juiz Moacir Rogério Tortato determinar que o prefeito prestasse esclarecimentos, em ordem proferida no final de janeiro. Nesta quarta, então, Abilio respondeu e, dentre as principais sustentações, destacou que sequer citou o nome de Jeferson em suas declarações.  

Na ação, Jeferson solicita que Abilio informe quais vereadores estariam envolvidos com a facção criminosa, quais provas sustentariam a afirmação de que votos para a eleição da Mesa Diretora teriam sido “comprados” e se há elementos que vinculem o parlamentar ao suposto esquema.

Em sua resposta, Abilio anotou que a interpelação judicial só é cabível quando há dúvida sobre o conteúdo ofensivo das declarações, as quais, segundo ele, não deixaram margem a interpretações, sem sequer mencionar o vereador diretamente. Afirma ainda que, por não ter o citado, ele não teria legitimidade para pleitear os esclarecimentos perante intervenção da Justiça.

O prefeito também argumenta que houve ampla divulgação na imprensa sobre investigação envolvendo vereador da capital por suposta ligação com o Comando Vermelho, o que, segundo ele, contextualiza as entrevistas concedidas à época. Menciona ainda que o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) informou que apuraria os fatos.

Neste tópico, citou os casos dos vereadores Chico 2000 (sem partido) e Sargento Joelson (PSD), que foram alvos de operação Perfídia por esquema de propina, sendo que Chico ainda responde outras duas ofensivas, e do ex-parlamentar Paulo Henrique de Figueiredo, que foi preso e afastado por liderar esquema milionário de lavagem com o CV.
 
Abilio sustenta que, caso Jeferson tenha dúvidas, deve buscar informações diretamente nos órgãos competentes. Ao final, requer o arquivamento da interpelação, sob o argumento de que não há questionamentos pendentes a serem esclarecidos.
 
 
 
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