O juiz Alexandre Paulichi Chiovitti, do 1º Juízo das Garantias do Núcleo I, determinou a devolução do celular do vereador Chico 2000 (Sem partido), apreendido no âmbito da Operação Rescaldo, deflagrada em junho de 2025 pela Polícia Federal para investigar suposta compra de votos nas eleições de 2024.
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Patrocinada pelo advogado Alaertt Rodrigues, a defesa de Chico 2000 confirmou a devolução do aparelho ao Olhar Jurídico, e que pediu a suspensão do inquérito da ofensiva por falta de provas da participação do parlamentar na suposta fraude eleitoral.
Em junho do ano passado o vereador foi alvo da Operação Rescaldo, da Polícia Federal, que investigou a compra de votos durante as eleições municipais de 2024. Segundo a PF, no período de eleições o parlamentar estaria abordando eleitores que apoiavam um outro candidato, do mesmo partido, e oferecendo dinheiro para obter os votos. A defesa de Chico pediu a suspensão do inquérito, mas o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) rejeitou. Novo recurso ainda aguarda decisão.
Antes de ficar sem siga, Chico era filiado ao Partido Liberal (PL). Antes da Rescaldo, ele foi alvo de outras duas operações: a Perfídia, que apura envolvimento de Chico no pagamento de R$ 250 em propina feito pela empresa HB20 Construções, contratada para obras na capital, ao também vereador Sargento Joelson (PSB).
O prefeito de Cuiabá, então deputado federal em 2023, Abilio Brunini (PL) recebeu uma pessoa que trabalhava no setor de pagamentos da HB20, e este funcionário denunciou o esquema de propina.
Conforme a denúncia, sargento Joelson teria recebido R$ 250 mil para facilitar a aprovação de uma matéria legislativa que possibilitou o recebimento de pagamentos devidos pelo município à empresa. Joelson teria dito que Chico 2000 deu o aval para o suposto esquema. Chico 2000 retornou ao cargo em setembro do ano passado.
Agora, menos de um ano desde a primeira operação, Chico 2000 foi afastado novamente do cargo no âmbito da Operação Gorjeta, deflagrada em janeiro para investigar a prática dos crimes de peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo as investigações, Chico, o empresário João Chiroli,e seu ex-chefe de gabinete Rubens Vuolo Júnior, direcionavam emendas assinadas pelo parlamentar ao Instituto Brasil Central (Ibrace, criado para os desvios) e a uma das empresas de Chiroli, sendo que parte dos recursos retornava, de forma ilícita, ao vereador.
Durante o período investigado, a Delegacia de Combate à Corrupção de Cuiabá identificou que Chico destinou R$ 3,5 milhões em emendas ao Ibrace para realização de corridas de rua na capital. Posteriormente, Chiroli pulverizava esses valores com saques em espécie e fazia a divisão entre o grupo.