A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) e seu Tribunal de Defesa das Prerrogativas (TDP) encaminharam ofício ao Corregedor-Geral da Polícia Civil, Jesset Arilson Munhoz de Lima, solicitando apuração sobre supostas condutas ilegais de policiais da delegacia de Sorriso (420 km de Cuiabá).
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O pedido foi motivado pelo vazamento de conversas de um grupo de WhatsApp atribuído a policiais civis, nas quais há indícios de truculência, intimidação e banalização de mortes em supostos confrontos.
Os áudios, aos quais o Olhar Direto teve acesso, mostram supostos agentes discutindo sobre “diálogo à moda antiga”, dar “tratamento VIP” a suspeitos para obter informações e insinuar execuções por parte de policiais militares.
Em um trecho, um dos integrantes do grupo ironiza situações de morte e sobreviventes de supostas execuções, enquanto outro questiona: “Quem é que vai matar um cara, executado, no mato e trazer duas testemunhas?”
A PJC afirmou, em nota, que as mensagens teriam vazado após o furto de um celular dentro de uma delegacia e que o caso será investigado para “apurar a veracidade das mensagens e o contexto em que foram postadas, assim como possível desvio de conduta de policiais”.
A OAB de Sorriso já havia se mobilizado anteriormente, encaminhando representações ao Ministério Público, à Corregedoria da PJC e à Associação Nacional da Advocacia Criminal (Anacrim). A entidade considera que o conteúdo das conversas pode configurar condutas criminosas e violações a direitos fundamentais.