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Zanin diz que lobista em domiciliar simulou problema na tornozeleira para ter documento que permitiria deslocamentos

Da Redação - Arthur Santos da Silva

Voto do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), pela negativa de recursos da defesa de Andreson de Oliveira Gonçalves, mantendo sua prisão, revela indícios de que o investigado teria descumprido regras de monitoramento eletrônico quando cumpria prisão domiciliar. Julgamento na Primeira Turma do STF tem previsão de encerramento no dia 13 de outubro.  Andreson responde por suspeitas de venda de decisões judiciais.

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Um dos pontos centrais citados por Zanin, além de suposta simulação sobre doença grave, foi episódio envolvendo a troca da tornozeleira eletrônica do investigado. Em 13 de agosto de 2025, a defesa de Andreson solicitou urgência na transferência do monitoramento para Primavera do Leste, alegando que o equipamento precisava de ajuste imediato devido a um "inchaço acentuado das pernas".
 
Embora o ministro tenha autorizado a medida em 26 de agosto, o investigado não compareceu à unidade de monitoramento para realizar o procedimento. Segundo o texto da decisão, a defesa só enviou uma justificativa por e-mail em 1º de outubro, após o Ministério Público ter questionado a situação.
 
“O custodiado simplesmente deixou de comparecer à unidade de monitoramento eletrônico para realizar a troca do equipamento, nem apresentou qualquer informação ou justificativa razoável para tanto, ao longo de período superior a um mês”.
 
A corte entendeu que essa atitude gerou uma “dúvida sobre o escorreito cumprimento das medidas cautelares, inclusive com risco à efetividade da aplicação da lei penal, máxime porque a própria defesa solicitou urgência na apreciação do pedido”.
 
Ainda segundo voto de Zanin, “ao agir dessa forma, em nítida deslealdade processual, o custodiado preservou sob sua posse, indevidamente, documento que lhe permitiria, em tese, deslocamento externo, situação absolutamente incompatível com o relato que justificara o deferimento do pedido”.
 
Andreson havia obtido o direito à prisão domiciliar em julho de 2025, após um laudo médico indicar uma perda de peso rápida e preocupante. No entanto, uma nova perícia realizada pela Polícia Federal revelou que o investigado ganhou 13,5 kg em apenas três meses de liberdade domiciliar, apresentando quadro de sobrepeso.
 
Os peritos apontaram a ocorrência de "metassimulação", termo jurídico e médico para quando um paciente aumenta intencionalmente a gravidade de um sintoma para obter benefícios, como a saída da prisão. O laudo técnico destacou que Andreson não buscou tratamentos para a suposta doença grave enquanto estava em casa, o que reforçou a tese de que a perda de peso anterior teria sido voluntária para enganar a Justiça.
 
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