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Chefe do CV em grandes bairros de Cuiabá, "Herdeiro" alega que pai foi extorquido no TJ e pede liberdade, mas ministro nega

Da Redação

Buscando revogar a prisão preventiva, Herdeiro apelou ao STJ alegando que, no Tribunal de Justiça (TJMT), moveu habeas corpus que deveria ter o respectivo acórdão anulado diante de interferência indevida de assessor técnico de desembargador e vazamento de informações sigilosas do julgamento em questão, as quais teriam sido usadas para extorsão do pai do paciente, fato sob investigação policial, o que demonstraria quebra do sigilo processual e comprometeria a higidez da deliberação colegiada. Desta forma, com a nulidade do referido acórdão, deveria ter a prisão substituída por medidas cautelares.

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Defesa também ressaltou disparidade de tratamento em caso análogo, no qual, em sessão virtual anterior, não houve pedido de vista e foram aplicadas medidas cautelares diversas da prisão a outro réu da mesma operação.

Desta forma, pediu em sede liminar a suspensão dos efeitos do voto proferido no Habeas Corpus do TJMT com aplicação de medidas cautelares diversas da prisão, e, no mérito, a declaração da nulidade do julgamento colegiado.

Examinando o pedido, Herman Benjamin anotou não verificou ilegalidades ou urgência a justificar o deferimento do pleito liminar de liberdade. “À primeira vista, o acórdão impugnado não se revela teratológico, o que de todo modo poderá ser mais bem avaliado por ocasião do julgamento definitivo do writ. Ante o exposto, indefiro o pedido de liminar”, ordenou Benjamin, que também solicitou informações do TJMT e Ministério Público.

“Herdeiro foi preso por liderar a distribuição, fornecimento e arrecadação de valores ilícitos nos bairros Bela Vista, CPA, Carumbé e Planalto. Ele também é investigado por dar abrigo para lideranças do CV foragidas do Rio de Janeiro.

Na primeira instância, Herdeiro teve a prisão mantida pela 7ª Vara Criminal da capital, cujo juiz Jean Garcia Bezerra destacou que mantê-lo preso é imprescindível para garantir a ordem pública devido à gravidade do crime de integrar uma organização criminosa, citando evidências como vídeos e áudios que ligam o réu à facção.

Na ocasião, as investigações interceptaram um vídeo gravado por Herdeiro, em que ele declara ter "ritmado o Comando Vermelho em Cuiabá" e um áudio em que confirma a referência de seu nome de usuário ("rc57") ao "Bonde do 157-Comando Vermelho". Além disso, os autos indicam que o réu utilizaria contas de familiares para movimentar recursos da facção e teria adquirido um veículo Toyota Corolla com R$ 40.000,00 de origem supostamente ilícita.

De acordo com o relatório, além de sua atuação em Mato Grosso, Joseph também desempenhava papel de suporte logístico na Rocinha, no Rio de Janeiro, fornecendo abrigo e proteção para criminosos foragidos — situação confirmada em conversas interceptadas pela polícia.

As investigações ainda constataram que o criminoso utilizava as contas bancárias da mãe e do irmão para movimentar altos valores, evitando levantar suspeitas. A polícia apontou que ambos tinham conhecimento das atividades ilícitas de Joseph, o que evidencia a complexidade e a ramificação da estrutura criminosa. Um documento ao qual a reportagem teve acesso revela que Joseph mantém relação direta com lideranças nacionais do Comando Vermelho (CV), ostentando vínculos com criminosos de alto escalão identificados como “Rogério 157” e “Johnny Bravo”.

As investigações indicam que Joseph e um comparsa fugiram para o Rio de Janeiro após a deflagração da Operação Apito Final. Lá, ele passou a exercer função de liderança operacional no núcleo da facção instalado na comunidade da Rocinha, uma das principais bases do CV.

Segundo a polícia, “Herdeiro” não era um membro periférico ou eventual, mas sim um articulador ativo da rede de tráfico de drogas e armas entre Mato Grosso e o Rio de Janeiro. Em um dos diálogos interceptados, Joseph chega a disponibilizar sua própria casa, na Rocinha, para abrigar um homem ainda não identificado.

Operação Tempo Extra

Na manhã do dia 10 de setembro, Joseph foi preso durante a Operação Tempo Extra, deflagrada pela Draco com foco no desmantelamento de um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico em Cuiabá.

Segundo as apurações, o grupo criminoso, anteriormente liderado por Paulo Witter, conhecido como “W.T”, movimentou cerca de R$ 65 milhões provenientes de atividades ilícitas. A ofensiva seria um desdobramento da Apito Final, que desarticulou o núcleo de W.T.
 
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