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TJ destaca liderança de Mato Grosso em feminicídios e mantém prisão de advogado que assassinou empresária no Manso

Da Redação - Pedro Coutinho

O advogado Cleber Lagreca ficará preso enquanto aguarda julgamento pelo feminicídio cometido contra a própria companheira, a Elaine Stelatto, ocorrido no Lago do Manso em outubro de 2023, por ordem do Tribunal de Justiça (TJMT). Na mesma sessão, realizada na semana passada (9), a Primeira Câmara Criminal manteve Lagreca pronunciado ao júri popular pelo feminicídio, retirando o crime de estupro do caso.

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O desembargador relator, Marcos Macado, fundamentou a manutenção da prisão na garantia da ordem pública, citando a gravidade da conduta—homicídio qualificado por feminicídio e fraude processual (já que ele mexeu na cena do crime, inovando artificialmente no local) — e o risco de reiteração criminosa e fuga, uma vez que o paciente já possuía condenação por violência doméstica.

Além disso, a corte rejeitou os pedidos de soltura ou prisão domiciliar, argumentando que o falecimento do irmão não justifica a revogação da cautelar e que as condições médicas do paciente podem ser tratadas dentro ou fora da unidade penal.

Para justificar o voto, Machado apresentou dados do Brasil e Mato Grosso para reforçar a necessidade de acautelar a ordem pública, demonstrando que, em 2024, ao menos quatro mulheres foram assassinadas por dia no país, e que o estado teve o maior índice de feminicídios.

“Merece destaque, ainda, que, no ano de 2024, ao menos 4 (quatro) mulheres, por dia, foram assassinadas no Brasil, sendo que o Estado de Mato Grosso apresentou a maior taxa de feminicídio do País, superior inclusive a média nacional, consoante Anuário Brasileiro de Segurança Pública/Fórum Brasileiro de Segurança Pública”, anotou Machado.

O feminicídio foi cometido por diante da negativa da vítima em manter relação sexual com ele, o que evidenciou o desprezo que o denunciado demonstrou pela vida de Elaine, uma mulher com quem ele já estava se relacionando amorosamente e que confiou em sua proposta de um encontro romântico em um passeio de lancha no Lago do Manso.

Após assassinar Elaine, o advogado ainda tentou alterar a cena do crime com intuito de induzir o perito ao erro, simulando um acidente para fazer parecer que a vítima teria agido de forma irresponsável ao, alcoolizada, se jogar da lancha em movimento durante um reboque, o que teria resultado em morte por afogamento. Inicialmente, o órgão ministerial apontava que Cleber havia a estuprado antes da execução – o que agora foi retirado pelo Tribunal.

Lagreca conheceu Elaine Stelatto pelo Facebook seis meses antes de sua morte e retomaram contato via Instagram dois meses antes, iniciando um relacionamento. Para estreitar a relação, o denunciado organizou um passeio romântico em sua embarcação, comprando frutas e dois espumantes. Na manhã do dia 19 de outubro de 2023, por volta das 8:50, Elaine encontrou-se com o advogado no posto de gasolina Bom Clima, em Cuiabá e de lá, seguiram com um carro de aplicativo até a Marina JJ, no Lago do Manso, Chapada dos Guimarães, onde embarcaram na lancha “Titanium”.

Por volta das 12h30, a embarcação apresentou defeito, soltando fumaça e ficando à deriva próximo ao píer do Malai Resort. Foi durante o reboque da lancha danificada que Lagreca assassinou Elaine espancada até a morte.

Em junho, a Justiça decidiu submeter Cleber ao Tribunal do Júri pelo feminicídio. A decisão fundamentou-se em contradições e divergências nas versões apresentadas pelo réu, especialmente quando confrontadas com os laudos periciais e depoimentos de testemunhas.

Contra essa ordem, ele apelou no Tribunal de Justiça visando aguardar o julgamento em liberdade. O argumento da defesa é que Cleber está com doença grave e possui um irmão que faleceu. Contudo, o juiz de primeiro piso negou os pedidos e o manteve preso até o júri. Inconformado, apelou no TJ, que também rejeitou os requerimentos. 
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