A Juíza Raissa da Silva Santos Amaral da 4ª Vara Criminal de Cáceres/MT retirou as restrições dos bens imóveis e móveis e liberou valores em conta bancária da empresária do ramo de postos de combustíveis, Kézia Morais Cardeal, alvo da Operação Jumbo acusada de lavar dinheiro do tráfico.
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Apesar de ainda não ser absolvida, a empresária, proprietária dos postos Chapadão Comércio de Combustível Eireli e K Moraes Cardel – Chapadão Acessórios, tem a seu favor manifestação do delegado, que requereu a improcedência da denúncia contra ela.
A juíza, então, decidiu liberar um imóvel e dois veículos, além dos postos de combustíveis e mais de R$ 750 mil bloqueados nas contas de Kézia. A defesa da empresária foi realizada pelos advogados Valber Melo, Matheus Correa e Marcelo Falcão
Kézia foi alvo da Polícia Federal em maio de 2022, junto do principal alvo da Operação Jumbo, Tiago Gomes de Souza, o “Baleia”. Além deles, foram presos Johnny Luiz Santos, Marcio de Oliveira Marques, Tcharles Rodrigo Ferreira de Moraes, Josivaldo de Lima Gomes Filho, Tiago Teixeira da Silva e Mirian de Luna Cavalcanti.
Segundo a ofensiva policial, os acusados tinham uma metodologia de aquisição e transportavam a droga por meio de "mulas", que caminhavam por cerca de cinco dias, trazendo a cocaína nos ombros. Ao chegar na zona rural de Porto Esperidião, onde o grupo tinha uma espécie de base, a droga era levada para Mirassol D’Oeste e depois para a capital mato-grossense. Em dois dos transportes, a Polícia Militar e o Gefron conseguiram interceptar 210 kg de cocaína.
A organização criminosa se dividia em dois núcleos: um responsável pela logística e transporte da droga e outro composto por empresários, que lavavam o dinheiro principalmente em postos de combustíveis, conveniências, além de uma mineradora.
Kézia é antiga proprietária do posto Atalaia, localizado na avenida Palmiro Paes de Barros. Ela teria vendido o estabelecimento a Baleia. Porém, ao invés de receber o pagamento, teria enviado dinheiro ao comprador. A PF acredita que ela tenha sido usada como "laranja" do empresário do tráfico.
A compra do posto Jumbo, hoje avaliado em R$ 6 milhões, realizada por um homem que dizia trabalhar como taxista, foi um dos indícios que levaram a PF a investigar Baleia.