Esposa do advogado Douglas Antônio Gonçalves de Almeida, acusado de liderar esquema de tráfico de armas que movimentou mais de R$ 100 milhões, Francimeire Correa de Mesquita teve a prisão preventiva mentida por ordem da desembargadora Juanita Silva Clait Duarte, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). Em decisão liminar proferida no final de setembro, a magistrada rejeitou habeas corpus que pedia a liberdade provisória ou a domiciliar para Francimeire.
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O casal é o principal alvo da Operação Conductor, que desarticulou organização criminosa responsável pelo tráfico de drogas e armas em Cuiabá e em outros municípios do Estado. As investigações acusam Francimeire de ter movimentado mais de R$ 2 milhões em 2024, mesmo que ela não tenha renda lícita correspondente a esse montante.
Presa desde o dia 2 de setembro, a “primeira-dama” ajuizou habeas corpus no Tribunal alegando constrangimento ilegal, que a decisão que decretou a prisão carece de fundamentação, baseando-se apenas na gravidade do delito, e que ela possui predicados favoráveis, renda fixa e dois filhos menores de 12 anos.
Examinando o caso, contudo, a desembargadora anotou que a decisão de primeiro piso que decretou o cárcere em face de Francimeire foi devidamente fundamentada na garantia da ordem pública e da regular tramitação da ação, uma vez que, além de ser esposa de um dos líderes do grupo investigado, é também a operadora financeira do esquema.
Sobre a domiciliar, Juanita pontuou que Francimeire, embora seja mãe de filhos menores de 12 anos, não se enquadra nas exceções previstas pelo Supremo Tribunal Federal, de modo que o habeas corpus não poderia ser concedido como forma “de se dar salvo conduto as mães de filhos menores para que, independentemente do crime praticado se livrar da segregação quando muitas vezes o ilícito é praticado na própria casa e na presença dos filhos menores”, decidiu a desembargadora.
O casal foi preso no dia 2 durante a Operação Conductor, que desarticulou organização criminosa responsável pelo tráfico de drogas e armas em Cuiabá e em outros municípios do Estado.
De acordo com a polícia, o grupo é apontado como um dos principais fornecedores de armas para a facção Comando Vermelho, em Mato Grosso, e para o “Bonde dos 40”, no Maranhão. As investigações também apontam que a liderança da quadrilha era formada por familiares, incluindo irmãos, cunhados e cônjuges do advogado.
Na residência do casal, foram apreendidos R$ 29 mil em dinheiro, relógios de luxo e uma Dodge Ram. Polícia aponta que o esquema movimentou mais de R$ 100 milhões.