O advogado Jonas Cândido da Silva foi inocentado pela juíza Alethea Santos, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, dos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro, referentes a esquema do Comando Vermelho que lavou milhões do tráfico a partir da compra de um apartamento em Santa Catarina. Na mesma sentença, proferida na última quinta-feira (18), a magistrada revogou a prisão de Jonas, mas condenou cinco membros da facção, incluindo Paulo Witer Farias, o “WT”, apontado como tesoureiro-geral em Mato Grosso.
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Sentença foi proferida no âmbito das Operações Apito Final e Fair Play, que investigou esquema milionário de lavagem liderado por WT, engendrado a partir da a compra de um apartamento de alto padrão em Balneário Camboriú, avaliado em R$ 1 milhão, com dinheiro vivo, bem como a constituição de empresas de fachada e um time de futebol amador, o “Amigos do WT”, de Cuiabá.
Elzyo Jardel Xavier Pires foi condenado a três anos; Paulo Witer Farias, o WT, quatro anos; Andrew Nikolas dos Santos três anos; Michael Richard da Silva Almeida a três anos; e Marllon da Silva Mesquita a seis anos. Jonas Cândido foi absolvido. Com a exceção de WT, que cumprirá a pena em regime fechado, os demais foram beneficiados com o aberto. Jonas recebeu alvará de soltura.
Em novembro, a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), da Polícia Civil de Mato Grosso, deflagrou a Operação Fair Play para cumprir 19 mandados judiciais, entre prisões, buscas e apreensões, contra o esquema do Comando Vermelho, em Cuiabá, usando para tal objetivo a aquisição do apartamento no litoral sul do País. Um dos principais alvos é o tesoureiro do Comando Vermelho, Paulo Witer, o WT.
A operação é um desdobramento da Operação Apito Final, deflagrada pela GCCO em abril deste ano, contra o tesoureiro WT. Além de Paulo Witer Faria Paelo, 38 anos, outros alvos da Apito Final também são investigados pela GCCO na operação atual, entre eles um advogado que continuou a atuar como "laranja" do líder criminoso.
Também entre os alvos da Fair Play está um ex-assessor da Câmara de Vereadores de Cuiabá, investigado anteriormente em outra operação contra o crime organizado em Mato Grosso. Elzyo Jardel Xavier Pires, de 40 anos, tem extensa ficha criminal. Ele respondeu a inquérito pela GCCO por delitos relacionados a instituições bancárias e em outros estados do País.
Elzyo Jardel Xavier Pires foi identificado como a pessoa que adquiriu como ‘laranja’ o apartamento na cidade de Itapema, em outubro de 2023, para o investigado Paulo Witer, que usufruiu do imóvel em diversas viagens ao litoral catarinense acompanhado de comparsas. A investigação apurou que o apartamento, em um condomínio de classe média, foi comprado com recursos provenientes do tráfico de drogas.
Para pagar o imóvel, os investigados usaram uma tática conhecida como ‘smurfing’, que consiste em fracionar pagamentos bancários em valores menores a fim de despistar a fiscalização do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF). O advogado, Jonas Candido da Silva, 35 anos, foi a pessoa designada pelo tesoureiro da organização criminosa para olhar o imóvel, verificar a documentação e autorizar a compra do apartamento.
Elzyo também é acusado na Ragnatela de lavar R$ 50 milhões para o CV por meio de eventos, casas noturnas, shows de artistas nacionais de funk e pagode, bem como via empresas de fachada em Cuiabá.