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"Essa vagabunda que eu fazia de tudo": feminicida chora ao confessar que assassinou a noiva, mas tenta culpabilizar a vítima

Da Redação - Pedro Coutinho

O feminicida Wendel dos Santos Silva confessou ter assassinado Leidiane Ferro da Silva a facadas em abril de 2023, quando ela era sua noiva. Os filhos deles presenciaram o crime. Wendel é julgado nesta quinta-feira (18) em Peixoto de Azevedo, onde aconteceu a execução. Covarde, teve coragem de assassiná-la com seis facadas, mas chorou arrependido durante todo depoimento, inclusive tentando culpabilizar a vítima. No plenário, a promotora Andreia Monte Alegre Bezerra de Menezes destacou a postura do réu de responsabilizar a vítima, lembrando que durante todo o depoimento ele relatou apenas fatos que desabonavam Lediane, sem assumir sua conduta.

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Confrontado pela promotora sobre o momento do crime, Wendel tentou se alongar em fatos anteriores, mas foi interrompido diversas vezes. Questionado sobre o que ocorreu exatamente às 12h40 do dia 15 de abril de 2024, ele afirmou apenas: “Só lembro de ter pegado a faca, senhora”.
 
A promotora destacou que o acusado dizia nunca ter agredido Lediane, mas lembrou que em 1º de fevereiro de 2024, pouco mais de dois meses antes do assassinato, câmeras da residência gravaram ele aplicando um mata-leão na vítima, que chegou a desfalecer. O vídeo consta anexado ao processo.

Em outro ponto, o Ministério Público citou o histórico do réu em casos de violência doméstica contra a ex-mulher, Grinaura Silva de Souza, em processos de lesão, ameaça e descumprimento de medida protetiva. Wendel confirmou os registros.
 
Contradições e publicações após o crime

Não bastasse a violência, o covarde tentou se vangloriar após o crime. A promotora também lembrou que, após o feminicídio, ele fugiu por cinco dias e se escondeu no mato antes de se entregar em Terra Nova do Norte. Durante a fuga, publicou mensagens nas redes sociais atacando a Lei Maria da Penha e ofendendo mulheres. Em uma delas, escreveu: “Maldita lei que defende as mulheres para ficar humilhando os homens (…). Agora vocês vão me prender morto, lei desgraçada”.

Confrontado, Wendel confirmou que fez as postagens. Ele também admitiu que enviou mensagens ofensivas à ex-cunhada, horas após matar Lediane.

No plenário, a promotora destacou a postura do réu de responsabilizar a vítima, lembrando que durante todo o depoimento ele relatou apenas fatos que desabonavam Lediane, sem assumir sua conduta. “O senhor ficou cinco anos com a vítima, por que não se separou? Por que optou por matar?”, questionou. Wendel respondeu que ela teria pedido para permanecer na relação.

Depoimento do filho

O júri foi aberto com o depoimento de Gustavo Michel, filho de Lediane. Chorando, ele relatou que ao chegar da escola encontrou a filha do réu desesperada. Quando entrou na cozinha, presenciou a mãe sendo esfaqueada. Gustavo afirmou que, após o crime, Wendel ainda os ameaçou de morte, obrigando ele e a enteada a fugirem correndo.

O jovem descreveu que as brigas eram constantes e que a mãe era frequentemente ameaçada. No dia anterior ao feminicídio, houve uma discussão intensa. Segundo Gustavo, o acusado demonstrava ciúmes excessivos, fazia ameaças psicológicas e tentava controlar a vida da vítima, impedindo-a de sair ou manter amizades. Hoje vivendo com a avó em Sinop, ele disse carregar a cena do crime na memória e pediu justiça: “Eu quero que esse cara apodreça na cadeia”.
 
O crime e a denúncia
 
Lediane foi assassinada em casa, na frente dos filhos, após pedir que o réu deixasse a residência. Câmeras de segurança registraram a execução. A denúncia contra Wendel foi recebida pela Justiça em 6 de maio de 2024, e a prisão preventiva mantida para garantir a ordem pública, diante da brutalidade do crime e da frieza do acusado.
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