A Justiça prorrogou as investigações da Operação Perfídia, que apura esquema de propina supostamente arquitetado entre os vereadores Sargento Joelson (PSB) e Chico 2000 (PL) e a empresa Hb20 construções. Atendendo pedido da Delegacia Especializada em Combate à Corrupção da capital (Deccor), as apurações agora se estenderão até o final de setembro.
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Deflagrada em abril, a ofensiva culminou no afastamento cautelar de Joelson e Chico 2000 por seis meses, os quais retornaram aos trabalhos na Câmara Municipal antes do prazo, no final de agosto, por determinação do Tribunal de Justiça (TJMT).
Porém, diante da pendência de laudos periciais e da apuração de fluxos financeiros e vínculos subjetivos entre os investigados, a Deccor solicitou a prorrogação do inquérito, o que foi acatado pela Justiça. Agora, a investigação se estenderá até o final deste mês para, posteriormente, ser enviada ao Ministério Público para oferecimento de denúncia.
A operação teve como objetivo de investigar crime de corrupção na Câmara Municipal de Cuiabá, envolvendo a empresa HB20, construtora responsável pelas obras do Contorno Leste, orçadas em R$ 125 milhões.
As investigações tiveram início a partir de denúncia enviada à DECCOR pelo então deputado federal Abilio Brunini (PL) em 2024, noticiando que vereadores teriam solicitado, a um funcionário da empresa responsável pela execução das obras do Contorno Leste, propina superior aos R$ 150 mil para a aprovação de matéria legislativa que possibilitou o recebimento de pagamentos devidos pelo município à referida empresa no ano de 2023.
Acusado de ter recebido dinheiro da construtora HB20, o vereador Sargento Joelson (PSB) confessou que o então presidente da Câmara, Chico 2000 (PL), teria dado o aval para o suposto esquema.
Em diálogo interceptado pela polícia civil em outubro de 2023, Joelson reclama para o funcionário da empresa que denunciou o caso, João Jorge Catalan, que a HB20 teria mandado terceiros até a Câmara para continuar as tratativas do esquema. É nesta reclamação que Joelson confirma a possível participação de Chico.
A empresa foi contratada para obras de drenagem e pavimentação da Avenida, e teria repassado R$ 250 mil em propina, com intuito de receber vantagens financeiras. Parte desse valor — R$ 150 mil — foi transferida diretamente para a conta do empresário José Márcio da Silva Cunha, acusado de também atuar como intermediador no caso, e repassado ao Sargento Joelson. A quantia restante teria sido entregue em espécie ao vereador Joelson, de acordo com os autos.
Uma parte dos valores foi depositada em conta indicada por um dos vereadores, e há indícios de que a outra parte tenha sido paga em espécie ao parlamentar, no interior de seu gabinete na Câmara, onde as negociações teriam ocorrido.
O operador da movimentação financeira seria João Jorge Souza Catalan Mesquita, funcionário da construtora, que teria articulado o envio dos recursos com o objetivo de garantir o apoio dos parlamentares na tramitação e aprovação de uma certidão de parcelamento fiscal. Essa medida permitiria à Prefeitura quitar débitos com a HB20 e, assim, liberar pagamentos referentes às obras já realizadas.