O Tribunal de Justiça (TJMT) manteve a prisão de dois e mandou soltar um dos alvos da Operação Datar, deflagrada na semana passada para desarticular esquema criminoso especializado em lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas. As investigações apontam que os membros do grupo criminoso movimentavam valores que ultrapassam R$ 185 milhões relacionados ao comércio de drogas.
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Foram mantidos presos os líderes do grupo Diego Lima Datto e o “DJ” Patrike Noro - acusados de chefiar e organizar todo esquema. Em contrapartida, foram soltos o corretor imobiliário Lucas Goudinho e Gonçalves e Thiago Massashi Sawamur.
No caso de Patrike, o desembargador Wesley Sanches Lacerda anotou que ele é apontado pelas investigações como sendo um pilar central do esquema, com movimentações financeiras milionárias e incompatíveis com sua renda lícita, além de antecedentes criminais que justificam a manutenção da custódia. Entre 2015 e 2023, ele movimentou R$ 21.8 milhões, sendo que seus rendimentos legais não chegaram a 1% deste total.
Movimentações fragmentadas e por meio de terceiros, inclusive de sua mãe, foram constatadas pela operação. Em 2017, por exemplo, ele movimentou R$ 271 mil em 2010 depósitos feitos em dezesseis cidades diferentes, e R$ 195 mil em 202 depósitos em dezenove cidades, tudo via caixas eletrônicos, o que indicou a pulverização e dissimulação do dinheiro movimentado. Ele também usava empresa de transporte para enviar e receber cargas de droga, bem como já foi condenado por tráfico em dois processos. Diante da sua posição central no esquema, o magistrado o manteve preso preventivamente.
Rafael Geon de Souza alegou ser dono de joalheria conceituada em Cuiabá, a loja “Rei do Ouro”, situada na região central da capital, e que as movimentações interceptadas pela polícia dizem respeito ao capital da empresa.
Também argumentou que que inexistem os pressupostos da prisão preventiva e que ele somente foi vinculado na investigação somente por conta de movimentações financeiras com outros investigados entre os anos de 2022 e 2023, bem como que é primário, tem endereço certo, trabalho lícito e família constituída, com dois filhos menores, sendo um “portador de Autismo e TDH”.
Apesar do esforço defensivo, o desembargador o manteve preso anotando que Rafael usava seu nome para lavar o dinheiro obtido ilegalmente pelo grupo, arrecadado do tráfico de drogas, bem como seria o responsável por fragmentar as transações bancárias para ocultar os bens adquiridos ilicitamente. Sanchez ainda evidenciou a reiteração delitiva de Rafael, que responde ação penal por extorsão qualificada.
“A necessidade de interromper as atividades ilícitas e desestruturar associação voltada à prática de crimes graves, tais como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, somada a reiteração delitiva, constitui fundamentação idônea para justificar a segregação do paciente para garantir a ordem pública”, anotou o magistrado.
Já Lucas Goudinho e Gonçalves foi julgado pelo desembargador Marcos Machado, também da Primeira Câmara Criminal, o qual decidiu conceder-lhe o habeas corpus. Machado anotou que a situação de Lucas é semelhante à do réu Thiago Massashi Sawamura, que foi colocado em liberdade mediante cumprimento de medidas cautelares.
Lucas não foi apontado pela operação como peça central no esquema, a qual limitou a mencionar seu nome apenas em duas movimentações financeiras, isoladas, uma de janeiro de 2015 e outra de dezembro de 2023. Para o magistrado, o fato de Lucas ter sido condenado a quatro anos de reclusão no semiaberto não justifica, por si só, a manutenção da sua prisão preventiva. Machado constatou que, desde a condenação, em 2017, ele não voltou a delinquir.
“Embora os fatos em apuração sejam, de fato, graves e demandem aprofundamento das investigações, a situação específica do paciente não autoriza a manutenção da prisão preventiva, ao menos neste momento processual, sobretudo porque a própria decisão constritiva não o aponta como um dos principais investigados no esquema criminoso, bem como não há notícias de prática de novos crimes após o ano de 2023”, anotou o magistrado ao conceder liberdade provisória a Lucas mediante cumprimento de cautelares.
Operação foi deflagrada na última quinta-feira (14) e culminou na prisão de sete alvos, entre eles
o também DJ Diego de Lima Datto, apontado com um dos chefes, e Thiago Massashi Sawamura, conhecido como “Japonês”, que já havia sido preso na Operação Doce Amargo, voltada também ao tráfico de drogas. Patrike ainda responde operações por comércio ilegal de mercúrio.
Foram presos na ofensiva: Diego de Lima Carro, Patrike Noro de Castro, Jackson Luiz Caye, Marco Antônio Santana, Lucas Goudinho e Gonçalves, Thiago Massashi Sawamura e Rafael de Geon de Sousa.
A ação teve como objetivo desarticular uma organização criminosa que desviava produtos químicos do mercado legal para serem utilizados como insumos no tráfico de drogas.
Durante as investigações da Operação Datar, constatou-se que diversos alvos da operação, incluindo familiares, movimentavam valores expressivos por meio de contas próprias, sem qualquer lastro documental ou origem lícita comprovada.
Parte dos recursos eram fracionados em pequenas quantias e transitavam entre contas de pessoas físicas e jurídicas, com o objetivo de ocultar e dissimular a real origem do dinheiro.
Segundo o delegado André Rigonato, responsável pelas investigações, as ordens judiciais contra os investigados buscam não apenas a responsabilização penal dos envolvidos, mas também a descapitalização dos membros do grupo criminoso.
“O objetivo é interromper o fluxo financeiro do grupo criminoso, ampliando o alcance das ações repressivas contra o crime organizado em Mato Grosso", disse o delegado.
As investigações prosseguem com análise do material apreendido e a apuração de eventuais novos envolvidos.