Acusado de liderar esquema que causou rombo de R$ 400 milhões na Unimed Cuiabá, o médico e ex-presidente da cooperativa Rubens Carlos de Oliveira Júnior também teria lavado dinheiro vivo durante sua gestão, entre 2020 e 2022. Rubens e outros ex-membros da diretoria são denunciados no âmbito da Operação Bilanz, deflagrada em novembro do ano passado para apurar as fraudes contábeis nos cofres da cooperativa, bem como crimes de estelionato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Na semana passada, a Justiça Federal retirou o sigilo do processo.
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Conforme testemunhas que trabalhavam no financeiro da cooperativa relataram ao Ministério Público Federal (MPF), pelo menos uma vez por mês Rubens entregava às funcionárias do setor Contas a Pagar envelopes contendo cerca de R$ 10 a R$ 15 mil em espécie, e ordenava que elas separassem as cédulas em duas ou três pilhas e as depositassem em contas correntes em seu nome.
Três funcionárias do setor confirmaram o ato supostamente cometido pelo ex-diretor. Elas afirmam que viam Rubens entregando dinheiro para Ana Paula Parizotto, ex-Superintendente Administrativo-Financeira e também acusada pelo MPF de integrar o esquema. Com os valores em mãos, a ordem de Rubens era para que o dinheiro fosse depositado em contas do Banco do Brasil, Santander ou Safra e, posteriormente redistribuído.
“Com efeito, a prática de fracionamento de depósitos bancários inominados é conhecida na doutrina penal como smurfing ou estruturação, isto é, um método de dissimulação da origem criminosa dos recursos, consistente na divisão de uma operação financeira em várias pequenas, em limite inferior ao que determina o dever de comunicação por parte da instituição financeira”, anotou o procurador Pedro Melo Ribeiro, responsável pela denúncia.
De acordo com as provas colhidas, Rubens esquematizou 40 práticas de estelionatos mediante simulação ou superfaturamento de contratos com prestadores de serviços da Unimed Cuiabá.
“Assim agindo, Rubens e Ana Paula incorreram, em tese, nas penas do delito do art. 1º, §4º, da Lei nº 9.613/98. Ademais, ainda que não haja elementos concretos nesse sentido, não se pode descartar que essas atividades estivessem sendo praticadas no âmbito e em favor dos demais integrantes da Organização Criminosa”, completou.
Além disso, com a retirada do sigilo das investigações que culminaram na Operação Bilanz, em outubro do ano passado, o Ministério Público Federal (MPF) revelou que os ex-administradores da Unimed Cuiabá, acusados de rombo de R$ 400 milhões, teriam assinado contratos milionários com empresas de fachada para desviarem o dinheiro da cooperativa. Alyander Bielik Rubio EIRELI e a Tharine Rocha Arquitetura nunca prestaram os serviços para os quais foram contratadas. O caso mais expressivo envolve assinatura com a Arche Negócios Ltda, numa operação financeira que resultou em liberação de R$ 33 milhões em créditos e possível desvio de quase R$ 1 milhão.
A operação, deflagrada em outubro de 2024, cumpriu mandados de busca e apreensão e resultou inicialmente na prisão de investigados, medida posteriormente revogada pela Justiça.
São eles: Rubens Carlos de Oliveira Junior (ex-presidente); Suzana Aparecida Rodrigues dos Santos Palma (ex-diretora financeira); Jaqueline Proença Larrea (ex-chefe jurídica); Eroaldo de Oliveira (ex-CEO); Ana Paula Parizotto (ex-superintendente); e Tatiana Gráciele Bassan Leite (ex-chefe de monitoramento).
O grupo responde por falsidade ideológica; 38 estelionatos por simulação contratual; estelionato por simulação de comissão envolvendo a empresa Arché Negócios; estelionato por superfaturamento e aditivos irregulares envolvendo o grupo H. Bento; crime contra a economia popular; um crime de patrocínio simultâneo; um crime de lavagem de capitais de forma reiterada; e um crime de organização criminosa.