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Risco de rebelião, posição de liderança e celulares na cela: cumprindo 200 anos, Sandro Louco é mantido isolado na PCE

Da Redação - Pedro Coutinho

O Tribunal de Justiça (TJMT) manteve o líder do Comando Vermelho em Mato Grosso, Sandro Silva Rabelo, isolado em ala de segurança máxima da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, onde cumpre pena que ultrapassa os 200 anos por crimes como roubo majorado, homicídio qualificado, latrocínio, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Posição de liderança, periculosidade e possível rebelião foram considerados no julgamento.

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Sob relatoria do desembargador Orlando Perri, os magistrados da Primeira Câmara Criminal da Corte, por unanimidade, rejeitaram embargos ajuizados por Rabelo, vulgo “Sandro Louco”, que questionava a ordem responsável por mantê-lo no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) desde fevereiro de 2025, quando ele foi colocado no Raio 8 da cadeia.

A inclusão de Sandro Louco em regime diferenciado se justificou diante da sua posição de liderança no Comando Vermelho, uma vez que é sabido que ele ordena as atividades criminosas da facção mesmo encarcerado, inclusive, usando membros da própria família, amigos e advogados para executar os delitos, conforme concluiu relatório técnico feito pela Diretoria de Inteligência da Polícia Judiciária Civil.

No documento, a polícia apresentou à Vara de Execuções Penais que vários celulares foram apreendidos sob coordenadoria de Sandro Louco em novembro de 2024, quando ele estava na cela 29 do Raio 6. Na ocasião, os agentes penais receberam informação da localização de 85 celulares e 135 chips nos raios 3 e 6 – sendo que sete aparelhos estavam com Sandro Louco.

Além disso, ainda no ano passado, o próprio Sandro Louco confessou que o mercadinho dentro da PCE foi ideia sua e que, após estabelecer ligação com o CV, movimentou lucros de R$ 75 mil mensais.

O fato de Sandro usar da mãe, esposa, amigos e advogados para manter as ações que lavam o dinheiro para a facção também foi considerado. Durante a operação Ativo Oculto, de 2023, a polícia revelou que Thaisa de Souza Almeida, sua esposa, seria a responsável por facilitar a continuidade dos crimes, como usando seu nome de laranja para aquisição de imóveis para a facção, dentre outras ações.

Irene Rabelo Uszko e Alessandra Rabelo Uszko dos Santos, mãe e prima de Sandro, também agiam para lavar o dinheiro dele e ocultar seus bens. As advogadas Diana Alves Ribeiro e Adriana Borges Souza da Mata também prestam serviços ilegais para ele. Não bastasse, ele usou o serviço de um hacker para inserir dados falsos no sistema judiciário, sendo este contratado para falsificar um alvará de soltura a seu favor.

Por fim, os agentes lembraram que, ainda no ano passado, um bilhete escrito a mão foi apreendido contendo informações sobre um possível motim – ordenado por Sandro. Bilhete manuscrito apontava que “sábado vai uma rebelião no convívio e aki a voz veio do Sandro não sei se é verdade ou mentira, sei que o léo me falou só não escala o cara disk raio 8,2,3,5, 6 BAGULHO tá ficando sério gay o que vamos fazer”.

Diante da gravidade da informação, o núcleo de inteligência da PCE passou a monitorar a rotina de Sandro e seus comparsas, sendo identificado que eles estariam organizando uma rebelião. Isso porque eles promoveram a retirada de visitantes e estocaram alimentos de alta durabilidade como forma de suprir as necessidades em caso de eventos críticos, já que contramedidas nessas situações incluem o corte de energia, água e alimentos.

Usando como base as conclusões do relatório de inteligência, então, o desembargador relator votou no sentido de rejeitar o recurso ajuizado por Sandro e mantê-lo no regime diferenciado.

“Ainda que para fins de prequestionamento, exige-se a presença de uma das hipóteses de cabimento do recurso – ambiguidade, obscuridade, contradição ou omissão –, que, como se viu, não ocorrem no presente caso. Posto isto, rejeito os embargos de declaração opostos por Sandro Silva Rabelo, mantendo na íntegra o acordão objurgado”, anotou Perri, cujo voto foi seguido pelos demais. Sessão de julgamento foi realizada no último dia 15.
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