O Ministério Público do Estado de Mato Grosso requereu a quebra do sigilo de dados dos celulares do empresário Fábio Teixeira Santin e de sua esposa, Janaina Carla Portela Santin, supostamente assassinada por ele no último dia 16 dentro da residência do casal, em Sinop. O pedido foi apresentado nesta terça-feira (17), junto com a conversão da prisão em flagrante de Fábio em preventiva, já deferida pela Justiça.
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Segundo o órgão, a medida é necessária para aprofundar as investigações sobre o possível feminicídio. O MP concordou com a solicitação feita pela autoridade policial durante a audiência de custódia e indicou que, após a quebra de sigilo, os dados devem ser extraídos pela Politec e encaminhados ao Núcleo de Inteligência da Polícia Civil, que será responsável por elaborar o relatório técnico.
De acordo com o promotor Marcelo Linhares Ferreira, a apreensão dos aparelhos no local dos fatos justifica o afastamento do sigilo, diante da necessidade de compreender “a real dimensão do envolvimento do representado com o feminicídio”. O promotor opinou favoravelmente à medida, ressaltando seu caráter investigativo, além de que Fabio manipulou a cena do crime e afirmou que a própria esposa cometeu suicídio após alvejá-lo na perna. Versões contraditórias que levantaram suspeitas, inclusive a ponto de haver necessidade de uma varredura nos respectivos celulares.
A conversão da prisão de Fábio Santin em preventiva foi determinada ainda na terça-feira (17), pela juíza Rosângela Zacarkim dos Santos, durante audiência de custódia. A magistrada entendeu que a prisão se fazia necessária diante da gravidade dos fatos e da periculosidade do suspeito.
Janaina, psicóloga de 43 anos, foi encontrada morta com um tiro na cabeça e, segundo a perícia, seis tiros foram alvejados na residência. A arma usada, uma pistola calibre .380, foi apreendida no local, assim como munições intactas. A juíza considerou que o crime foi cometido com brutalidade, em contexto de violência doméstica, e dentro da própria casa da vítima, o que, segundo ela, agrava o risco à ordem pública.
Durante as investigações, Fábio apresentou versões contraditórias sobre a morte da esposa. Inicialmente, alegou que ela teria disparado contra ele e cometido suicídio em seguida. No entanto, a dinâmica descrita não se confirmou na reconstituição feita com a Polícia Civil, e laudos periciais apontaram inconsistências. Entre elas, a ausência de sinais típicos de suicídio no corpo da vítima e a posição da arma, que foi encontrada entre as pernas de Janaina.
Além disso, o ferimento na perna de Fábio, supostamente causado por um disparo da esposa, apresentava trajetória incompatível com a versão apresentada. A perícia concluiu que o tiro teria sido efetuado lateralmente, indicando possível autoferimento.
O delegado responsável pelo caso sustentou que os elementos reunidos afastam a hipótese de suicídio e reforçam a suspeita de feminicídio, uma vez que o casal estava sozinho no imóvel no momento do crime. A defesa tentou substituir a prisão preventiva por domiciliar, alegando que Fábio é pai de uma criança menor de seis anos e enfrenta problemas de saúde. No entanto, o pedido foi negado pela juíza por falta de comprovação. A investigação segue sob responsabilidade da Polícia Civil de Sinop.