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Notícias / Criminal

Jornalista alvo da PJC foi processado por Nery em 2021 após noticiar suposto pedido de R$ 1 milhão para comprar sentença

Da Redação - Arthur Santos da Silva

Alvo da Polícia Civil nesta segunda-feira (26) em investigação sobre a morte de advogado Renato Nery, o jornalista Claudio Natal foi acionado na Justiça, em 2021, após publicar acusações contra Nery sobre suposta negociação de decisão judicial.

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A ação ordinária de obrigação de fazer cumulada com pedido de indenização por danos morais foi proposta por Renato Gomes Nery e Luiz Carlos Salesse contra Cláudio Natal, apontado como responsável por um site de notícias. Os autores alegam que o réu publicou matérias no site e em redes sociais com acusações falsas contra eles.
 
Uma das matérias em questão, intitulada “Advogado é gravado pedindo um milhão para comprar sentença de Desembargador em Cuiabá”, afirmava que Renato Gomes Nery teria sido gravado em sua residência, em ligação, pedindo R$ 1 milhão ao desembargador João Ferreira.
 
A notícia ligava esse suposto pedido a um processo de terras, sugerindo que os autores teriam tomado terras de uma viúva (Wilma Terezinha Destro Fernandes) através de contratos fraudulentos, com a ajuda de Luiz Carlos Salesse. Os autores, no entanto, sustentaram que as afirmações eram falsas. Eles alegaram que as áreas de terra mencionadas foram adquiridas regularmente.
 
Diante disso, os autores pediram a concessão de tutela de urgência para obrigar o réu a remover as notícias de seu site e redes sociais. Eles argumentaram que as notícias tinham o objetivo exclusivo de ferir suas imagens, contendo inverdades e acusações sem conteúdo plausível, agindo de má-fé.
 
Ao analisar o pedido, ainda em 2021, a juíza da 8ª Vara Cível de Cuiabá observou que o réu agiu com imprudência ao dar publicidade às notícias sem se preocupar com a veracidade das informações, utilizando-se de manchetes sensacionalistas, o que extrapola os limites da informação.
 
Decisão determinou que o réu retirasse de seu site as notícias sobre supostas negociações de decisões envolvendo Renato Nery.
 
Em outubro de 2024, ação foi julgada extinta por falta de manifestação dos autores.
 
Operação

A Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), cumpre na manhã desta segunda-feira (26), mandado de busca e apreensão dentro das investigações que apuram o homicídio do advogado Renato Nery.

A ordem judicial contra o investigado Claudio Natal é cumprida em um condomínio, no bairro Santa Cruz, em Cuiabá. As investigações da DHPP apontam que o alvo, que se apresenta como jornalista e como perito judicial, está envolvido na alteração de documentos e no assessoramento a escritórios de advocacia.

Ele também seria responsável por cerca de 15 dias antes das prisões dos militares envolvidos, ligar para a mandante do crime para providenciar dinheiro para custear advogados que defenderiam os policiais.
 
A primeira etapa do inquérito policial que apura o homicídio de Renato Nery foi concluída no dia 09 de maio, com o indiciamento do caseiro de uma chácara em Várzea Grande e um policial militar como envolvidos diretamente na execução do crime.

Os dois foram indiciados pelo crime de homicídio qualificado pela promessa de recompensa e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

As investigações da DHPP identificaram um casal, moradores do município de Primavera do Leste, como mandante do crime. A motivação do crime foi uma disputa de terra.

Renato Nery morreu aos 72 anos, atingido por disparos de arma de fogo, no dia 5 de julho do ano passado (2024), na frente de seu escritório, na capital. A vítima foi socorrida e submetida a uma cirurgia em um hospital privado de Cuiabá, mas morreu horas depois do procedimento médico.

Desde a ocorrência, a DHPP realizou inúmeras diligências investigativas, com levantamentos técnicos e periciais, a fim de esclarecer a execução do advogado.
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