Justiça decidiu pela revogação da prisão preventiva de Thalita Cristina Rocha, acusada de compor organização criminosa acusada de aplicar golpes financeiros contra idosos em Cuiabá, fatos revelados na Operação Antenados. A decisão, publicada nesta quarta-feira (16), considerou a situação de Rocha é semelhante à de outras corrés que respondem ao processo em liberdade.
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Thalita Cristina Rocha é uma das onze pessoas denunciadas pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso por envolvimento em organização criminosa, furto qualificado mediante fraude eletrônica, tentativa de furto, lavagem de capitais e falsidade ideológica. O caso, que tramita na 7ª Vara Criminal de Cuiabá, apura um esquema no qual idosos eram enganados por indivíduos que se apresentavam como representantes de um programa governamental de entrega de antenas de televisão.
Segundo a denúncia, os acusados se dirigiam às residências das vítimas, sempre bem vestidos ou uniformizados, informando sobre a suposta entrega gratuita de antenas para pessoas de baixa renda. Para receber o benefício, os idosos eram solicitados a fornecer fotos de seus documentos pessoais e de seus rostos, sob a alegação de necessidade de cadastro e comprovação da entrega.
No entanto, essa abordagem era, na verdade, um ardil para obter os dados necessários para a abertura de contas bancárias fraudulentas em nome das vítimas no Banco Santander. Após a criação das contas, a organização criminosa, dentro de uma divisão de tarefas, contratava empréstimos consignados em nome dos idosos, utilizando seus documentos pessoais. Os valores dos empréstimos eram então liberados diretamente nas contas bancárias fraudulentas.
A decisão judicial que revogou a prisão preventiva de Thalita Cristina Rocha considerou a similitude fático-processual entre ela e as corrés Juliana Cristina De Toledo Rosa e Iara Iasmim Pires Dos Santos, que já respondem ao processo em liberdade. O juízo também ponderou que a participação de Rocha aparenta ser "menos gravosa" e que os depoimentos colhidos durante a instrução não apresentaram novos elementos que agravem sua conduta.
Com a revogação da prisão, foram impostas a Thalita Cristina Rocha as seguintes medidas cautelares: comparecimento obrigatório a todos os atos do processo; não manter contato, seja pessoal ou por qualquer meio de comunicação eletrônica, com os demais corréus, exceto cônjuge ou parentes até o 2º grau; manter sempre atualizado seu endereço nos autos.
As investigações revelaram que o grupo realizou 44 contratações de empréstimos consignados em nome de 31 vítimas idosas, totalizando um prejuízo de R$ 755 mil.