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Notícias / Criminal

Após "Iphone bomba" de Zampieri revelar negociações de decisões no TJMT, PF expande operação para o Tocantins

Da Redação - Pedro Coutinho

A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (18/3), nova fase da Operação Sisamnes com o objetivo de investigar crimes de obstrução de justiça, violação do sigilo funcional e corrupção ativa e passiva. A ofensiva cumpriu mandado de prisão de Thiago Marcos Barbosa de Carvalho, assessor do procurador Ricardo Valente, do MP do Tocantins. O procurador também está sendo investigado. Thiago é advogado e é sobrinho do governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa, que não foi alvo da operação.

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Antes de se expandir para o Tocantins, a operação foi inicialmente deflagrada em Mato Grosso a partir dos dados do “Iphone Bomba” do advogado Roberto Zampieri, assassinado a tiros em Cuiabá em 2023, e que atuaria como “lobista” no Judiciário estadual e nacional ao lado do empresário Andreson de Oliveira Gonçalves, preso acusado de ser o principal articulador do esquema de negociações de decisões.

Segundo a UOL, a suspeita da PF é que o grupo tenha acionado o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves para obter, de forma ilegal, acesso a informações sigilosas do STJ.

Conforme as investigações da PF, divulgadas nesta terça-feira (18), foi identificada uma rede clandestina de monitoramento, comércio e repasse de informações sigilosas sobre o andamento de investigações sensíveis supervisionadas pelo Superior Tribunal de Justiça, frustrando, assim, a efetividade das deflagrações das operações policiais.

Por ordem do Supremo Tribunal Federal, então, os policiais federais cumpriram um mandado de prisão preventiva e quatro mandados de busca e apreensão, no Tocantins, além das medidas de afastamento das funções públicas, proibição de contato e saída do país, e recolhimento de passaportes.

A primeira fase foi deflagrada em novembro do ano passado e culminou no afastamento e instalação de tornozeleira nos desembargadores Sebastião de Moraes e João Ferreira Filho, ambos do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, acusados de acatarem os interesses “lobistas” de Zampieri.

Em agosto de 2024, os desembargadores João Ferreira Filho e Sebastião de Moraes foram afastados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Há suspeita de que os magistrados trocavam decisões por dinheiros ou entrega de bens.

As informações foram reveladas após quebra de sigilo sobre o celular do advogado Roberto Zampieri, morto a tiros no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá, em dezembro de 2023. Zampieri atuaria como intermediário nas negociações das decisões. 

No fim de novembro, a PF deflagrou a primeira fase da Operação Sisamnes, com o objetivo de investigar crimes de organização criminosa, corrupção, exploração de prestígio e violação de sigilo funcional.

As investigações apontam para um suposto esquema de venda de decisões judiciais, envolvendo advogados, lobistas, empresários, assessores, chefes de gabinete e magistrados.

De acordo com as apurações, os investigados solicitavam valores para beneficiar partes em processos judiciais, por meio de decisões favoráveis aos seus interesses.

O Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul, bem como servidores, assessores e possivelmente ministros do Superior Tribunal de Justiça também estão na mira das operações.
 
 
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