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Juiz aponta periculosidade e decreta prisão preventiva de empresária acusada e liderar esquema milionário de pirâmide

Da Redação - Pedro Coutinho

O juiz Mirko Vincenzo Giannotte, plantonista da Comarca de Sinop, converteu em preventiva a prisão em flagrante da empresária Taiza Tossat, detida na última quinta-feira (31) no âmbito da Operação Cleópatra. Ela é apontada como a líder de esquema de pirâmide que causou prejuízos de R$ 2,5 milhões às dezenas de vítimas em Cuiabá e outras cidades de Mato Grosso. Na mesma ordem, o magistrado negou decretar o sigilo ao processo. Veja o vídeo do momento da prisão de Taiza ao final da matéria. 

Leia mais: Empresária é flagrada com munições de uso restrito e anabolizantes; silêncio sobre esquema milionário de pirâmide

Na quinta, a Polícia Civil prendeu em flagrante Taiza e seu companheiro, Wander Aguilera, enquanto desembarcavam no aeroporto de Sinop.

Durante as buscas realizadas na residência de Tossat, situada num condomínio de luxo da cidade, os agentes apreenderam cheques em nome das vítimas do esquema capitaneado por ela, totalizando R$ 419 mil, veículos, moto da marca BMW, joias, anabolizantes proibidos no país e munições de uso restrito.

Para fundamentar a preventiva, o juiz anotou que as medidas cautelares alternativas não seriam suficientes para o caso.

Segundo Giannotte, a gravidade concreta das condutas do casal a qual indica habitualidade delitiva, da quantidade e variedade de itens apreendidos, o que sugeriu atividade criminosa estruturada, a presença de munições de uso restrito, que revelou o grau de periculosidade, e, por fim, os antecedentes criminais dos dois, demonstrando que medidas diversas ao cárcere seriam ineficazes.  

“Vislumbrando a necessidade da custódia cautelar para a garantia da ordem pública e diante do perigo gerado pelo estado de liberdade do imputado, converto a prisão em flagrante de Taiza Tosatt Eleoterio Ratola e Wander Aguilera Almeida em prisão preventiva”, decidiu.

Na residência de Taiza, os policias apreenderam sete cheques que totalizaram R$ 419 mil, cheques em branco, colares em ouro e prata, relógios Swarovski, Jeep Renegade, moto da BMW, cartões, frascos e mais frascos de anabolizantes proibidos no Brasil, três notebooks, celulares, 17 pen drives, munições calibre .357 de uso restrito.

Ela se apresentava nas redes sociais como uma jovem e bem-sucedida especialista em investimentos, prometendo lucros exorbitantes de 2% a 6% ao dia, dependendo do valor investido. Com esses argumentos, a empresária convencia as vítimas a realizar aplicações iniciais superiores a R$ 100 mil em ações, entrando em um esquema de pirâmide financeira.

Inicialmente, as vítimas recebiam o retorno financeiro prometido e eram incentivadas a investir novamente. No entanto, após alguns meses, os pagamentos cessaram, e Taiza passou a inventar justificativas até parar de responder às vítimas, que começaram a perceber o golpe.

Além de Taiza Tossat, a operação tem como alvos um médico e um ex-policial federal, que, segundo as investigações, colaboravam com o esquema.

O ex-policial, ex-marido da empresária, atuava como gestor de negócios, enquanto o médico exercia a função de diretor administrativo na empresa DT Investimentos. Juntos, eles formavam o grupo criminoso que impactou o planejamento financeiro de diversas famílias, incluindo amigos e parentes dos próprios envolvidos.

As ordens judiciais da operação incluíram o cumprimento de seis mandados de busca e apreensão e o bloqueio de bens e valores dos investigados nas cidades de Cuiabá, Jaciara, Rondonópolis e Sinop.

Em seu depoimento à autoridade policial, Tosatt ficou em silêncio sobre os indícios que resultaram na Operação. Sobre a munição, Taiza disse inicialmente que pertence ao seu atual companheiro (também preso), Wander Almeida.

Contudo, posteriormente, ela mudou a versão e disse que o material bélico é do seu ex-marido, Ricardo Ratola (também alvo da operação), e que ficou de entregar ao advogado dele, mas ainda não havia conseguido.

Sobre os anabolizantes, Taiza e Wander confessaram que seriam dele, aplicados para repor déficit de testosterona e porque ela estaria tentando engravidar.

Na ordem que decretou a prisão, o juiz notificou o médico apontado por Wander para informar as prescrições em nome dele sobre os anabolizantes encontrados. Sobre as munições apreendidas, Mirko determinou que a Polícia Federal verifique os registros de arma em nome de Taiza e Wander e do ex-cônjuge policial federal, no prazo de 15 dias.
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