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Notícias / Criminal

Juiz autoriza acesso aos celulares apreendidos no caso dos homicídios de Peixoto de Azevedo e nova audiência será marcada

Da Redação - Pedro Coutinho

O caso dos homicídios em Peixoto de Azevedo, praticados pela fazendeira Inês Gemilaki e seu filho, o médico Bruno Gemilaki, tendo como vítimas os idosos Rui Luiz Bogo e Pilso Pereira Cruz, teve a primeira audiência de instrução realizada no último dia 2. A sessão, contudo, não foi encerrada diante da insistência da oitiva de uma das testemunhas. Presidindo a audiência, o juiz João Zibordi Lara determinou sua redesignação ante a necessidade de novas diligências.  

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O magistrado homologou a desistência das oitivas de três testemunhas e concedeu prazo de 5 dias para que o réu Éder Gonçalves Rodrigues, que auxiliou na fuga de mãe e filho do local dos homicídios, atualize o endereço de uma testemunha arrolada como defesa.

Além disso, Zibordi Lara determinou a juntada aos autos dos laudos da necropsia das vítimas Pilson Pereira da Silva e Rui Luiz Bogo, o exame do corpo de delito da vítima José Roberto Domingos e o acesso as mídias extraídas dos celulares apreendidos e quaisquer documentos faltantes pertinentes ao processo. Depois de tais diligências, o juiz redesignará a audiência.

Homicídios

No dia 21 de abril, Inês e Bruno, com auxílio de Éder, invadiram uma casa em Peixoto de Azevedo em busca do garimpeiro Enerci Afonso Lavall, mas ela acabou matando Pilso Pereira da Cruz, 69 anos, e Rui Luiz Bogo, 81. Lavall foi atingido, mas sobreviveu. O padre José Roberto Domingos também foi alvejado, mas se safou.

Naquele dia, Bruno e Inês invadiram a residência particular de Erneci Afonso Lavall, alvo da fazendeira, localizada na rua Thiago Magalhães Nunes, nº 1403, bairro Alvorada. Imagens das câmeras de segurança da residência constataram que o filho acompanhou e deu suporte à sua mãe durante toda empreitada, portando uma espingarda calibre 12.

Motivações e ameaças

Erneci alugou uma casa para Inês e a cobrou por aluguel e danos à propriedade. Após o término do contrato, ela deixou a residência, mas ele continuou a cobrar. A Justiça considerou essas cobranças ilegais, dando ganho de causa a Inês. No entanto, Polaco persistiu, exigindo valores que ele julgava devidos e supostamente contratando capangas para ameaçar Inês com morte, sequestro e estupro.
 
No dia anterior ao crime, em 20 de abril, Erneci enviou homens à casa de Inês, onde Bruno também morava, para cobrar os aluguéis. Eles não os encontraram, mas prometeram voltar. Bruno sabia das ameaças e tentou falar com Polaco sobre a decisão judicial, mas sem sucesso, já que Erneci insistia que faria "a justiça com as próprias mãos".
 
As ameaças eram conhecidas da Justiça, já que áudios enviados pela esposa de Polaco à Inês constavam nos autos de uma ação cível. Até minutos antes do crime, Inês e Polaco trocavam mensagens ofensivas, que eram apagadas logo após o envio pelos supostos capangas.
 
Desesperada com o aumento das ameaças, Inês procurou a delegacia um dia antes dos assassinatos, pedindo providências urgentes. No entanto, a autoridade responsável informou que nada poderia ser feito no momento, pois era sábado.
 
Bruno soube das novas ameaças na noite de sábado, quando sua mãe o buscou no plantão médico. No domingo, 21 de abril, continuaram recebendo mensagens ameaçadoras e ligações de números privados. Decidiram ir à casa de Eder Gonçalves Rodrigues, também réu no processo, para participar do aniversário da esposa dele, ficando até por volta das 15 horas, quando saíram para comprar bebida.
 
Antes disso, Inês recebeu uma ligação informando que homens desconhecidos estavam batendo em seu portão. Decidida a agir, ela foi até a casa de Erneci, onde as câmeras de segurança registraram toda a ação. Os assassinatos ocorreram durante um almoço das vítimas.
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