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Empresário Alan Malouf oferece apartamento de 400 m² avaliado em R$ 2,3 mi à Justiça e tem contas desbloqueadas

Da Redação - Paulo Victor Fanaia Teixeira

A juíza Selma Rosane Arruda, da Sétima Vara Criminal, determinou o desbloqueio de cerca de R$ 2,3 milhões das contas do empresário Alan Ayoub Malouf, réu em ação penal oriunda da quarta fase da "Operação Sodoma". Como garantia, ofereceu ao juízo seu apartamento avaliado em R$ 2,3 milhões no edifício de luxo Forest Hill, de 400 m² em construção na às margens da rodovia Emanuel Pinheiro, em Cuiabá. A decisão foi proferida em 11 de outubro.

Alan Malouf teria, segundo o MPE, “lavado” aproximadamente R$ 2,1 milhões em proveito dos ex-secretários Pedro Nadaf (R$ 1,5 milhão) e Arnaldo Alves (R$ 620 mil). O crime seria efetivado pelo ingresso dos valores na receita rotineira de suas empresas. O esquema, que resultou na denúncia de seis ex-secretários da gestão Silval Barbosa, teria lesado os cofres públicos em R$ 15,8 milhões,por meio de desapropriações fraudadas.

Ainda, teria cometido crime de receptação, ao receber cerca de R$ 200 mil como pagamento de uma dívida contraída por Silval Barbosa, junto ao Buffet Leila Malouf. O valor seria corrrespondente a festa de posse do ex-governador, em 2012. Ele figura como réu na ação penal oriunda da "Operação Sodoma 4", cuja denúncia fora acatada pela magistrada Selma Arruda no último dia 3. 

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Segundo a defesa, Alan Malouf é sócio majoritário da empresa Silmar Esteves de Freitas, que adquiriu o citado imóvel em fase de construção. O imóvel hoje se encontra em nome de outra empresa, a Novo Sabor Refeições Coletivas Ltda. – ME.

Desse modo, “pede a substituição do bloqueio de valores em conta pelo bloqueio do bem e declara que após a conclusão da obra e o fornecimento dos documentos que possibilitem a venda do imóvel, não se opõe à alienação antecipada”. Ainda, “não se opõe à manutenção do valor de R$ 20.000,00 referente à diferença do valor do imóvel e o que supostamente teria recebido o investigado”.

O Ministério Público Estadual (MPE) manifestou-se favoravelmente a decisão.

Como manifestou a própria juíza Selma, “a substituição do bloqueio por caução real é perfeitamente possível, especialmente quando evita prejuízos desnecessários ao processado e efetivamente garante o Juízo”.

Entenda a Operação Sodoma 4:

O foco da Operação Sodoma é o desvio de dinheiro público realizado através de uma das três desapropriações milionárias pagas pelo governo Silval Barbosa, durante o ano de 2014. Os trabalhos de investigações iniciaram há mais de um ano.

O ex-governador de Mato Grosso, Silval Barbosa, preso no Centro de Custódia de Cuiabá, teve novamente uma prisão preventiva cumprida, além de Marcel De Cursi, Arnaldo Alves, Silvio César Correia Araújo e Valdir Piran. Para prestarem interrogatórios foram conduzidos coercitivamente Valdir Piran Junior, Eronir Alexandre, Marcelo Malouf, José Mikael Malouf, Willian Soares Teixeira, Ademir Beraldi, Eliane Maria da Silva, Catarino José da Silva Neto, Alan Malouf e Jair Santana, além do cumprimento de buscas e apreensão em residências e empresas dos investigados.

Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, procurador de Estado aposentado, foi preso por mandado de prisão preventiva no Rio de Janeiro (RJ), por policiais da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco). Os investigados Valdir Piran e Arnaldo Alves tiveram os mandados de prisão cumpridos em Brasília, com apoio da Polinter do Distrito Federal.

As diligências realizadas evidenciaram que o pagamento da desapropriação do imóvel conhecido por Jardim Liberdade, localizado nas imediações do Bairro Osmar Cabral, nesta capital, no valor total de R$ 31.715.000,00 à empresa Santorini Empreendimentos Imobiliários Ltda, proprietária do imóvel, se deu pelo propósito específico de desviar dinheiro público do Estado de Mato Grosso em benefício da organização criminosa liderada pelo ex-governador do Estado de Mato Silval da Cunha Barbosa.

Ficou comprovado na investigação que participaram dessa fraude além de Silval Barbosa, as pessoas de Pedro Jamil Nadaf (ex-secretario chefe da Casa Civil), Francisco Gomes de Andrade Lima Filho (procurador de Estado aposentado), Marcel de Cursi (ex-secretário de fazenda), Arnaldo Alves De Souza Neto (ex-secretário de Planejamento), Afonso Dalberto (ex-presidente do INTERMAT), além do proprietário do imóvel Antonio Rodrigues Carvalho, seu advogado Levi Machado, o operador financeiro do grupo criminoso Filinto Muller e os empresários Valdir Piran e Valdir Piran Junior, pai e filho.

De todo o valor pago pelo Estado pela desapropriação, o correspondente a 50%, ou seja, R$ 15.857.000,00, retornaram via empresa SF Assessoria e Organização de Eventos, de Propriedade de Filinto Muller, em prol do grupo criminoso.

De acordo com a investigação, a maior parte do dinheiro desviado, no montante de R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais), pertencia ao chefe Silval Barbosa, ao passo que o remanescente foi dividido entre os demais participantes, no caso os ex-secretários, Pedro Nadaf, Marcel De Cursi (Fazenda), Arnaldo Alves de Souza Neto (Planejamento), Afonso Dalberto (Intermat) e o procurador aposentado Chico Lima.
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