A empresária Taiza Tossat foi presa nesta quinta-feira (31) durante a “Operação Cleópatra”, deflagrada pela Polícia Civil por meio da Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon). A ação tem como alvo um esquema de pirâmide financeira que teria causado prejuízos de, até o momento, R$ 2,5 milhões a dezenas de vítimas em Cuiabá e outras cidades de Mato Grosso.
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Empresária é presa em operação que investiga esquema de pirâmide com prejuízos de R$ 2,5 milhões
Taiza Tossat, que se declara empresária, ficou em silêncio durante seu depoimento sobre os indícios que resultaram na Operação. Ela passará por audiência de custódia nesta sexta (1).
Durante as buscas em sua residência, a polícia encontrou munições de arma de fogo de calibre restrito (.357), e anabolizantes, cuja comercialização é proibida no Brasil. Sobre a munição, Taiza disse inicialmente que pertence ao seu atual companheiro (também preso), Wander Almeida.
Contudo, posteriormente, ela mudou a versão e disse que o material bélico é do seu ex-marido, Ricardo Ratola (também alvo da operação), e que ficou de entregar ao advogado dele, mas ainda não havia conseguido.
Sobre os anabolizantes, Taiza e Wander confessaram que seriam dele, aplicados para repor déficit de testosterona e porque ela estaria tentando engravidar.
Em relação aos fatos que resultaram na operação, contudo, Taiza preferiu o silêncio, alegando que se pronunciaria em momento oportuno, somente depois de ter acesso a investigação.
Taiza é apontada como a líder do esquema e foi presa ao desembarcar no aeroporto de Sinop, após uma viagem ao Nordeste do país. Ela se apresentava nas redes sociais como uma jovem e bem-sucedida especialista em investimentos, prometendo lucros exorbitantes de 2% a 6% ao dia, dependendo do valor investido. Com esses argumentos, a empresária convencia as vítimas a realizar aplicações iniciais superiores a R$ 100 mil em ações, entrando em um esquema de pirâmide financeira.
Inicialmente, as vítimas recebiam o retorno financeiro prometido e eram incentivadas a investir novamente. No entanto, após alguns meses, os pagamentos cessaram, e Taiza passou a inventar justificativas até parar de responder às vítimas, que começaram a perceber o golpe.
Além de Taiza Tossat, a operação tem como alvos um médico e um ex-policial federal, que, segundo as investigações, colaboravam com o esquema.
O ex-policial, ex-marido da empresária, atuava como gestor de negócios, enquanto o médico exercia a função de diretor administrativo na empresa DT Investimentos. Juntos, eles formavam o grupo criminoso que impactou o planejamento financeiro de diversas famílias, incluindo amigos e parentes dos próprios envolvidos.
As ordens judiciais da operação incluíram o cumprimento de seis mandados de busca e apreensão e o bloqueio de bens e valores dos investigados nas cidades de Cuiabá, Jaciara, Rondonópolis e Sinop. Durante as buscas, uma caminhonete Ford Ranger e documentos foram apreendidos e serão analisados.
De acordo com o delegado Rogério Ferreira, da Decon, o valor total dos prejuízos ainda pode aumentar, já que outras vítimas podem ainda não ter registrado queixas. A investigação continuará para apurar a extensão do esquema e as responsabilidades dos envolvidos.