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Notícias / Criminal

Ao negar restituição de carro avaliado em R$ 120 mil, juiz destaca que Sandro Louco enviou arma e dinheiro à tia

Da Redação

O líder do Comando Vermelho em Mato Grosso, Sandro Rabelo, conhecido como “Sandro Louco”, enviou da prisão à sua tia de 78 anos uma arma de fogo calibre 38, da marca Taurus, com doze munições, além de R$ 36 mil em espécie para protege-la, já que Irene Rabelo teria sido vítima de furto e roubo. A informação, que consta no inquérito da Operação Ativo Oculto, foi destacada em decisão proferida nesta quinta (31) pelo juiz Jean Garcia Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, em que negou restituir bens a Irene.

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O caso foi descortinado no âmbito da Operação Ativo Oculto, deflagrada em 24 de março pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) para investigar crimes de lavagem de dinheiro cometidos pela organização criminosa.

Um dos alvos do Gaeco, a tia de Sandro teve diversos bens bloqueados, como um carro VW Nivus avaliado em mais de R$ 120 mil, um terreno baseado no Jardim Mossoró, em Cuiabá, no valor de R$ 65 mil, terreno no Residencial Pauleceia, no valor de R$ 45.000,00 e uma área no bairro Pedra 90, no valor de R$ 70.000,00, todos pagos em espécie proveniente das ações do CV.

Conforme a decisão, no momento da busca e apreensão feita na casa de Irene, em 23 de março de 2023, os agentes do Gaeco localizaram uma arma de fogo calibre 38, Taurus e 12 munições, além de R$ 36.510,00 em espécie, sendo informado por ela, de maneiro informal para os agentes policiais, que Sandro forneceu a arma de fogo para a sua proteção, já que ela teria sido vítima de furto e roubo. O dinheiro, conforme Irene, seria usado para custear cirurgia de sua neta.

“Assim, logo de plano se verificam indícios de que a requerente movia valores provenientes das atividades criminosas engendradas pelo Comando Vermelho. Somando-se isso ao fato de que o veículo objeto do presente pedido é de valor expressivo e foi adquirido após os fatos narrados na exordial acusatória (em 2021, consoante o CRLV juntado ao processo), conclui-se pela existência de veementes indícios de que a obtenção do veículo se deu por meio de proventos da infração”, alegou o magistrado.

“Logo, uma vez que há, na espécie, veementes indícios de proveniência ilícita do bem, fica este sujeito a perdimento e não pode ser restituído. Assim, por todo o exposto, INDEFIRO o pedido de restituição de veículo apreendido”, proferiu Jean.
 
Operação Ativo Oculto
 

 O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), força-tarefa permanente constituída pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso, Polícia Judiciária  Civil e Polícia Militar, deflagrou, na manhã do dia 23 de março, a operação Ativo Oculto, para cumprimento de ordens judiciais, entre mandados de busca e apreensão, prisão preventiva, prisão temporária, bloqueio de bens e valores. 

A operação se fundamenta em investigação instaurada pelo Gaeco e visa a apuração de delitos de lavagem de dinheiro e ocultação de bens e valores auferidos em decorrência da atividade do Comando Vermelho. Ao todo, foram cumpridos 271 mandados.

Dos 34 mandados de prisão, pelo menos cinco foram cumpridos no sistema prisional de Mato Grosso. Os alvos foram as principais lideranças da facção criminosa Comando Vermelho, conhecidas pelos apelidos de Sandro Louco, Sapateiro e Carcaça. 
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