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Notícias / Criminal

Documentos da denúncia contra Imaculada Agronegócios incluem contratos sem assinatura e pagamentos de R$ 30 milhões

Da Redação

Documentos que embasaram a denúncia da Operação Agro-Fantasma passaram a ser analisados com mais detalhe 45 dias após a deflagração da investigação e indicam que a relação entre a empresa Imaculada Agronegócios e o produtor rural Silvano dos Santos foi marcada por pagamentos sucessivos, contratos em diferentes formatos e negociações mantidas até semanas antes da formalização do caso. Ofensiva foi desencadeada no dia 4 de março pela polícia civil com intuito de investigar os donos da Imaculada por, supostamente, terem orquestrado um golpe de R$ 70 milhões contra Silvano, de Colíder.

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Os registros apontam que a relação teve início em março de 2025, com operações de compra e venda de grãos que se intensificaram ao longo dos meses seguintes. De acordo com o próprio depoimento de Silvano dos Santos, os primeiros negócios foram realizados com regularidade, com pagamentos efetuados conforme combinado, o que contribuiu para a continuidade e ampliação das transações.
 
Planilhas e comprovantes anexados ao inquérito indicam que os repasses financeiros seguiram até janeiro de 2026, totalizando cerca de R$ 30 milhões movimentados entre as partes. Mesmo diante de dificuldades posteriores, os documentos mostram que as negociações continuaram, com tentativas de ajuste nos prazos e nas condições acordadas.
 
Entre os materiais apresentados por Silvano dos Santos para embasar a denúncia estão minutas contratuais sem assinatura, além de um contrato formal com vencimento previsto para data posterior ao registro da notícia-crime, protocolada em fevereiro de 2026. A sequência cronológica dos documentos indica que, naquele momento, não havia obrigação vencida vinculada a esse instrumento.
 
Os autos também registram um encontro realizado em 22 de dezembro de 2025, em Comodoro, quando representantes da Imaculada Agronegócios estiveram com o produtor rural para tratar da continuidade das negociações. Na mesma data, foi realizada uma transferência de R$ 1 milhão, conforme comprovantes incluídos no inquérito.

Outro elemento presente na investigação é a venda de uma aeronave, firmada em setembro de 2025. Os documentos mostram que as parcelas foram pagas por mais de quatro meses consecutivos, somando aproximadamente R$ 2 milhões. À época da denúncia, o prazo da parcela seguinte ainda não havia vencido.
 
A análise dos autos também não identificou registros de medidas típicas de cobrança por vias cíveis antes da apresentação da denúncia. Não há, até o momento, indicação de protestos, notificações extrajudiciais ou ações judiciais relacionadas aos valores discutidos.
 
O material também inclui registros de conflitos entre as partes. Antes da formalização da denúncia, foram comunicadas ocorrências envolvendo ameaças atribuídas a Silvano dos Santos, em meio a negociações que não chegaram a um consenso.
 
A Justiça de Mato Grosso chegou a determinar medidas cautelares contra o produtor rural em investigações relacionadas a esses episódios, incluindo apuração de ameaças envolvendo familiares de integrantes da empresa.
 
A Operação Agro-Fantasma foi deflagrada com base na suspeita de negociações sem lastro real e resultou em bloqueios patrimoniais e outras medidas cautelares. Posteriormente, o próprio juízo responsável reviu a decisão inicial, revogando as medidas e determinando a liberação de bens e valores dos empresários Pedro Henrique Cardoso, Mário Sérgio Assis e Sérgio Pereira Assis.
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