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Porsche, caminhões, avião de R$ 3 milhões e casa de R$ 2 mi: Justiça bloqueia bens de empresários acusados por golpe

Da Redação - Pedro Coutinho

A Justiça indisponibilizou diversos bens em face dos empresários Pedro Henrique Cardoso, Sérgio Pereira Assis e Mário Cometki Assis, acusados pela Operação Agro-Fantasma de aplicaram golpe de R$ 70 milhões contra um produtor de Comodoro. A lista de propriedades tem uma Porsche Panamera 2025 de R$ 1,5 milhão, duas Dodge Ram, um avião Hawker Beechcraft, Mercedez C200, quatro caminhões sendo dois Scania e dois Mercedez, além de diversas caminhonetes e carros. A decisão, obtida por Olhar Jurídico, também bloqueou contas bancárias dos investigados e das duas empresas, além de um imóvel de R$ 2 milhões na capital.

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Conforme a decisão obtida pelo Olhar Jurídico, o trio teve os referidos bens indisponibilizados por ordem do juiz Antônio Fabio Marquezini, proferida no dia 27 de fevereiro, quando também foram bloqueados a aeronave Hawker Beechcraft G36, ano 2009, e os ativos da Imaculada Agronegócios LTDA. e Santa Felicidade Agroindústria LTDA, empresas usadas pelo trio para aplicação do golpe.

“O sequestro e a indisponibilidade de bens encontram amparo nos arts. 125 e seguintes do CPP e no art. 4º da Lei nº 9.613/98. É imperativo obstar a dissipação dos proventos do crime para garantir a reparação do dano à vítima. A lei penal adjetiva (arts. 125 a 132 do CPP) visa garantir a reparação do dano e impedir o locupletamento ilícito. A insolvência forjada e o voo furtivo da aeronave demonstram que os agentes estão dissipando os ativos”, anotou o juiz.

Investigação sobre o esquema de estelionato e associação criminosa que teria causado prejuízo superior a R$ 70 milhões a um produtor rural revela que a fraude, articulada entre 2025 e o início de 2026, consistia na captação da confiança da vítima para a aquisição de vultosas safras de grãos, que eram revendidas pelos investigados por valores abaixo do preço de custo, em uma operação de liquidação predatória.

Pedro Henrique Cardoso, Sergio Pereira Assis e Mario Sergio Cometki Assis utilizaram as empresas como fachadas para atrair o produtor.
 
O esquema começou com operações menores de compra de soja, pagas pontualmente para consolidar a confiança do produtor, prática descrita nos autos como "cevar a vítima". Após ganhar a credibilidade do produtor, que possui mais de 35 anos de atuação no mercado, os investigados o convenceram a adquirir grãos de terceiros em seu próprio nome e repassá-los ao grupo, sob a promessa de pagamento futuro.
 
O ponto central da fraude, conforme apontado pelo Ministério Público e pela decisão judicial, foi a revenda imediata dos grãos por valores inferiores ao custo de aquisição, prática conhecida como dumping. Essa estratégia visava transformar as mercadorias em dinheiro vivo rapidamente, sem qualquer intenção real de honrar os pagamentos com o produtor rural.
 
De acordo com a notícia-crime, o produtor vítima, Silvano dos Santos, adquiriu 150 mil sacas de milho por um valor médio de R$ 60. Em outra operação, 140 mil sacas compradas por R$ 65. “Posteriormente, por intermédio de testemunhas, no momento seguinte à inadimplência, foi informado que os mesmos grãos foram revendidos ao valor aproximado de R$ 51”.
 
Ainda conforme os autos o déficit  por saca que gerou um prejuízo total de R$ 3 milhões apenas nas duas operações. Essa dinâmica tornou a dívida com a vítima estruturalmente impagável, uma vez que a "conta" da operação era manifestamente deficitária.

Operação

Em consequência do golpe, a Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quarta-feira (4), a Operação Agro-Fantasma, para cumprir ordens judiciais. Na operação, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de contas bancárias e da indisponibilidade de bens móveis e imóveis dos investigados.

Os mandados foram cumpridos em Cuiabá, Alto Taquari e na cidade de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. O grupo mantinha uma vida de luxo, com casa em condomínio de alto padrão e uso de veículos importados de alto valor de mercado, como Porsche, Dodge Ram e outros que também são alvos de sequestro na operação.
Veja a lista completa dos bens bloqueados
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