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Emenda de R$ 600 mill bancou reforma em pousada de luxo de Chico 2000 com 'gorjeta' de R$ 20 mil, revela PJC

Da Redação - Rodrigo Costa e Luis Vinicius

Relatório da Polícia Civil que culminou na Operação Gorjeta, deflagrada nesta terça-feira (27), revelou que o vereador Chico 2000 (sem partido) utilizou parte do dinheiro do esquema de desvio de emendas parlamentares para bancar até mesmo uma reforma em uma pousada de luxo "Estância Águas da Chapada", que está no nome de suas filhas – mas que ele mesmo administra por procuração. A pousada fica localizada na MT-251, conhecida como Rodovia Emanuel Pinheiro.

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Conforme o relatório, uma transferência de R$ 20 mil da empresa Chiroli Esportes foi direcionada a um pedreiro, contratado por Chico, que realizava obras no imóvel. O valor, segundo a investigação, representaria parte do "retorno", ou a "gorjeta", de recursos públicos desviados por meio das emendas.

De acordo com a decisão, o valor foi enviado via Pix em 9 de abril de 2025 para J.S.A, pedreiro que executava obras particulares na "Estância Águas da Chapada", que, segundo a Polícia Civil, é propriedade de fato do vereador Chico 2000.

A investigação apurou que o R$ 20 mil tinha origem em uma emenda parlamentar impositiva de R$ 600 mil destinada por Chico 2000 ao Instituto Brasil Central (Ibrace). O instituto repassou R$ 580 mil para a empresa Sem Limite Esporte e Eventos - em dois depositos -, controlada pelo empresário João Nery Chiroli, um dos alvos da operação. 

No dia seguinte ao recebimento, a empresa efetuou o pagamento ao pedreiro. O comprovante da transação foi encaminhado pelo chefe de gabinete do vereador, Rubens Vuolo Júnior, ao próprio Chico 2000 via WhatsApp, com a legenda "na conta". 



Horas depois, o pedreiro confirmou o recebimento ao parlamentar. Para a polícia, a sequência comprova o "retorno" de parte dos recursos desviados para beneficiar o vereador, e o empresário, configurando indícios de peculato e lavagem de dinheiro.

Confira o cronograma

No dia 29 de março de 2025, o pedreiro mandou uma foto do portão de entrada do imóvel para Chico 2000. Em 7 de abril de 2025, Chico solicitou ao funcionário que cotasse materiais e verificasse quanto seria preciso de valor a título de entrada para começar obras de esquadrias em um restaurante, ao que, horas depois, o pedreiro responde que cerca de R$ 20 mil 

No dia 8 de abril de 2025, entre 15h11 e 15h32, Chico manteve conversas com Rubens Vuolo Júnior (Binho) e com João Chiroli, que correspondem a tratativas sobre transferência bancária feita por João Chiroli no Sicoob e um encontro ocorrido pessoalmente entre João Chiroli e Chico 2000, do qual Binho tinha ciência. No dia 9 de abril de 2025, às 15h11, Chico 2000 indaga a Rubens Vuolo Júnior, interlocutor identificado como “Binho – Gabinete Gab”, se “já chegou.....?”, ao que Binho responde que “nada”.

Às 15h12, Chico pergunta a João Chiroli se ele está chegando, ao que é respondido com um áudio, no qual João Chiroli explica que está no Sicoob e foi fazer a programação para o dia seguinte, bem como que já está de saída da agência bancária e que estava indo agora – ao que tudo indica, para onde Chico 2000 estava.

Às 15h31, Binho informa ao parlamentar que alguém “chegou” e Chico 2000 diz “estou indo aí .....!”. Por fim, às 16h27, Chico recebeu de Rubens Vuolo Júnior, o comprovante do Pix, no valor de R$ 20 mil, feito pela empresa Sem Limite Esporte e Eventos Ltda (pertencente a João Nery Chiroli) para o pedreiro às 16h25. Na conversa, como legenda do comprovante, consta a mensagem “na conta”.
 
Esquema milionário e alvos da operação

A operação, que cumpriu 75 ordens judiciais, investiga um suposto esquema de desvio de emendas parlamentares que teria como vítima a Câmara Municipal de Cuiabá e a Secretaria Municipal de Esportes.

Entre os alvos, além de Chico 2000 e João Nery Chiroli, estão o chefe de gabinete Rubens Vuolo Júnior, o assessor parlamentar Joaci Conceição Silva, Alex Jony Silva e Magali Gauna Felismino Chiroli.

Também foi determinado o bloqueio inicial de R$ 676.042 das contas bancárias de nove pessoas físicas e jurídicas, além do sequestro de sete veículos, uma motocicleta, uma embarcação, um reboque e quatro imóveis.

As ordens judiciais foram expedidas pelo Juízo do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias de Cuiabá. Entre as medidas estão o cumprimento de 12 mandados de busca e apreensão e 12 ordens de acesso a dados armazenados em dispositivos móveis.
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