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Acusado de ser 'laranja' do CV na compra de apartamento de R$ 1 milhão em 'BC', ex-assessor da Câmara é mantido preso

Da Redação - Pedro Coutinho

O desembargador Marcos Machado, do Tribunal de Justiça (TJMT), manteve prisão e ação penal em face de Elzyo Xavier Pires, ex-servidor da Câmara Municipal acusado de participar do esquema de lavagem de dinheiro para o Comando Vermelho por meio de shows em casas noturnas na capital. Ele também é acusado de adquirir um apartamento de R$ 1 milhão em Balneário Camboriú para Paulo Witer Farias, o WT, apontado como líder contábil da facção.

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Em ordem proferida nesta segunda-feira (2), o magistrado da Primeira Câmara Criminal negou habeas corpus ajuizado pela defesa do ex-assessor, que é alvo das Operações Ragnatela e Fair Play.

A defesa contestou recebimento da denúncia contra ele por crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro, alegando ilicitude das provas, inépcia da denúncia, falta de justa causa e ausência de análise de tese de atipicidade.

Em primeiro piso, o Juízo singular rejeitou as preliminares da defesa, afirmando haver indícios suficientes de autoria e materialidade, além de considerar a denúncia detalhada. Machado seguiu esse entendimento e indeferiu o pedido liminar, destacando que o trancamento da ação penal só ocorre em casos excepcionais e que as questões de mérito serão analisadas posteriormente. Não houve exame sobre pedido de revogação da prisão e, portanto, ele segue preso valendo ordem do STJ do dia 15 de maio.

Em novembro, a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), da Polícia Civil de Mato Grosso, deflagrou a Operação Fair Play para cumprir 19 mandados judiciais, entre prisões, buscas e apreensões, contra um grupo criminoso que lavou dinheiro do tráfico, em Cuiabá, usando para tal objetivo a aquisição de imóvel no litoral sul do País. Um dos principais alvos é o suposto tesoureiro do Comando Vermelho, Paulo Witer, o WT. 

A investigação contou com a cooperação da Polícia Civil de Santa Catarina, por meio da Delegacia de Itapema, que identificou a localização do imóvel adquirido pelos criminosos.

Os mandados, decretados pelo juiz Jorge Alexandre Martins Ferreira, do Núcleo de Inquéritos Policiais de Cuiabá, são cumpridos na Capital mato-grossense e também na cidade de Itapema.

A decisão judicial inclui ainda o sequestro de quatro veículos e de um apartamento localizado no litoral catarinense, bloqueios de contas bancárias e a suspensão de atividade econômica de duas empresas abertas em nomes dos investigados.

A operação é um desdobramento da Operação Apito Final, deflagrada pela GCCO em abril deste ano, contra o tesoureiro de uma facção criminosa, também o principal investigado na Fair Play.

Além de Paulo Witer Faria Paelo, 38 anos, outros alvos da Apito Final também são investigados pela GCCO na operação atual, entre eles um advogado que continuou a atuar como "laranja" do líder criminoso.

Também entre os alvos da Fair Play está um ex-assessor da Câmara de Vereadores de Cuiabá, investigado anteriormente em outra operação contra o crime organizado em Mato Grosso. Elzyo Jardel Xavier Pires, de 40 anos, tem extensa ficha criminal. Ele respondeu a inquérito pela GCCO por delitos relacionados a instituições bancárias e em outros estados do País.

Elzyo Jardel Xavier Pires foi identificado como a pessoa que adquiriu como ‘laranja’ o apartamento na cidade de Itapema, em outubro de 2023, para o investigado Paulo Witer, que usufruiu do imóvel em diversas viagens ao litoral catarinense acompanhado de comparsas. A investigação apurou que o apartamento, em um condomínio de classe média, foi comprado com recursos provenientes do tráfico de drogas e para lavar dinheiro da organização criminosa.

Para pagar o imóvel, os investigados usaram uma tática conhecida como ‘smurfing’, que consiste em fracionar pagamentos bancários em valores menores a fim de despistar a fiscalização do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF). O advogado, Jonas Candido da Silva, 35 anos, foi a pessoa designada pelo tesoureiro da organização criminosa para olhar o imóvel, verificar a documentação e autorizar a compra do apartamento.

Elzyo também é acusado na Ragnatela de lavar R$ 50 milhões para o CV por meio de eventos, casas noturnas, shows de artistas nacionais de funk e pagode, bem como via empresas de fachada em Cuiabá.
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