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Estelionato em família: irmão de empresário retirou provas de empresa para esconder fraude milionária em formaturas

Da Redação - Pedro Coutinho

A decisão judicial que autorizou a Operação Ilusion, desta quarta-feira (21), revelou que, no dia 30 de janeiro de 2025, véspera do encerramento oficial da Imagem Serviços de Eventos Ltda., Marcos Vinícius Alves do Nascimento, irmão do principal alvo da ação, compareceu à sede da empresa e retirou cartões de memória contendo registros fotográficos e videográficos de formaturas contratadas por mais de mil clientes. O objetivo seria comprometer a produção de provas e dificultar a tramitação da ação penal.

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Márcio Júnior Alves do Nascimento e Eliza Severino Da Silva, alvos principais, tiveram a prisão preventiva decretada na Operação, e ambos se entregaram nesta quarta. Ele se apresentou na seda da Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon), em Cuiabá, onde segue detido, enquanto ela em uma unidade policial do Paraná. A suspeita deve responder aos mesmos crimes do marido e pode ser transferida para Mato Grosso.

Além deles, a operação ainda suspeita que o irmão e a mãe de Márcio, Marcos Vinicius Alves do Nascimento e Antonia Alzira Alves do Nascimento, também possam ter contribuído para os crimes.

Os dois são investigados por deixar de cumprir contratos com aproximadamente mil estudantes de mais de 40 turmas universitárias e escolares. O prejuízo estimado ultrapassa R$ 7 milhões. Eles eram responsáveis pela Imagem Eventos, empresa que encerrou suas atividades de forma repentina no mês de janeiro deste ano, sem prestar esclarecimentos às vítimas. Inclusive, a empresa fez manobras judiciais, como dois pedidos de recuperação judicial, sendo um deles movido no dia em que abandonou os formandos.

A investigação destacou a atuação direta de Marcos no suposto esquema de estelionato, associação criminosa e crimes contra as relações de consumo, supostamente comandado por seu irmão.

No dia 30 de janeiro de 2025, véspera do encerramento oficial da empresa Imagem Serviços de Eventos Ltda., e do baile de uma turma de medicina da Univag, Marcos Vinícius compareceu à sede da empresa e retirou 23 cartões de memória contendo registros fotográficos e videográficos de formaturas contratadas por mais de mil clientes em Mato Grosso e Rondônia. Eliza foi quem ordenou a retirada, o que impediu que o backup dos arquivos fosse realizado por um funcionário, conforme já havia sido solicitado.

O material retirado foi justificado como necessário para impressão, mas a Polícia concluiu que a real intenção era ocultar provas e dificultar a responsabilização penal dos envolvidos. Além disso, foram constatadas alterações de senhas e bloqueios de acesso a plataformas digitais, impedindo os formandos de obter os materiais pagos. O Judiciário entendeu que a ação teve caráter deliberado e comprometeu diretamente a produção de provas, reforçando a necessidade das prisões cautelares dos principais investigados.

Ainda segundo a investigação, a Vini Produções — empresa de Marcos Vinícius sediada em João Pessoa (PB) — atuava no mesmo ramo e mantinha vínculos informais com a Imagem Eventos. Esse vínculo, segundo a magistrada, sugere que Márcio tentou escapar da aplicação da lei penal: logo após encerrar as atividades da Imagem Eventos, sabendo dos problemas que enfrentaria, Márcio “fugiu” para João Pessoa, onde deu continuidade junto à Vini Produções.

Para a polícia, isso indica que Márcio tentou manter a prática criminosa, mas em outra localidade. O mesmo ocorreu com Eliza, que abriu um comércio no Paraná assim que saiu de Cuiabá.

A investigação da Delegacia aponta ainda que os acusados ocultaram a real situação financeira da empresa, transferiram arquivos com registros das cerimônias a terceiros e tentaram obter recuperação judicial, cujo pedido foi indeferido por inconsistências formais.

Para autorizar a operação, a juíza considerou que as provas colhidas nas investigações demonstraram que o casal, aliado ao irmão e mãe de Márcio, Marcos Vinicius Alves do Nascimento e Antonia Alzira Alves do Nascimento, agiu de forma premeditada e com dolo: eles sabiam que a situação das empresas era de crise e, mesmo assim, seguiram agindo de má-fé com a clientela.

Ex-funcionários relataram que os prejuízos financeiros das vítimas podem ultrapassar R$ 7 milhões já que as empresas cobravam altos valores para os bailes, sobretudo dos cursos de Medicina. Colaboradores do setor administrativo e gestores corroboraram tais informações, destacando que a Imagem e Eventos focava na captação de contratos com turmas de Medicina, devido aos altos valores envolvidos.

Os depoimentos de membros das comissões de formatura de turmas mais prejudicadas, como a Turma 12 de Medicina da UNIVAG e a Turma 34 de Medicina da UNIC, corroboram os fatos relatados pelos funcionários referente às exigências de pagamentos adicionais das turmas contratantes, mesmo diante da iminente paralisação das atividades da empresa e sem qualquer perspectiva de cumprimento dos contratos.

Além dos formandos e de seus familiares, os trabalhadores da empresa também foram surpreendidos pelo encerramento abrupto das atividades. Em depoimento, a responsável pelo setor financeiro declarou que, embora a empresa estivesse formalmente registrada em nome de Antônia, esta não exercia qualquer papel na administração do negócio, sendo a gestão conduzida por Márcio e Eliza.

Também confirmaram que a empresa Graduar Decoração e Fotografia Ltda, registrada em nome de Eliza, operava no mesmo endereço da Imagem Eventos, atuando ambas de forma unificada.
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