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Empresário preso por golpe milionário em formandos entrega celular, alega bons antecedentes e pede liberdade

Da Redação - Pedro Coutinho

A defesa de Márcio Nascimento, preso preventivamente por aplicar golpes milionários em centenas de formandos de diversos cursos, em Cuiabá e Várzea Grande, ajuizou pedido de liberdade perante o Tribunal de Justiça (TJMT) nesta quarta-feira (21), um dia após ele passar por audiência de custódia. Dentre os argumentos, o advogado sustentou que Márcio colaborou com as investigações e entregou seu celular espontaneamente.

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Márcio e a esposa, Elisa Severino, tiveram a prisão preventiva decretada na Operação Ilusion, deflagrada no início da semana. Ambos se entregaram nesta quarta. Ele se apresentou na seda da Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon) enquanto ela em uma unidade policial do Paraná. A suspeita deve responder aos mesmos crimes do marido.

Os dois são investigados por deixar de cumprir contratos com aproximadamente mil estudantes de mais de 40 turmas universitárias e escolares. O prejuízo estimado ultrapassa R$ 7 milhões. Eles eram responsáveis pela Imagem Eventos, empresa que encerrou suas atividades de forma repentina no m de janeiro deste ano, sem prestar esclarecimentos às vítimas. Inclusive, a empresa fez manobras judiciais, como dois pedidos de recuperação judicial, sendo um deles movido no dia em que abandonou os formandos.

A operação aponta que o fechamento da empresa foi planejado com pelo menos quatro meses de antecedência. Mesmo sabendo que não teriam condições de entregar os serviços, os suspeitos continuaram firmando novos contratos, cobrando valores à vista e realizando promoções. Há também indícios de que materiais de eventos foram ocultados com o objetivo de serem vendidos separadamente.

Em habeas corpus ajuizado nesta quinta-feira (21), a defesa de Márcio argumentou que sua prisão preventiva é desnecessária e contestou a ordem da juíza Fernanda Kobayashi, do Núcleo de Inquérito Policial (Nipo), que decretou sua prisão preventiva.

A defesa argumenta que Márcio se apresentou espontaneamente à Justiça, saindo de João Pessoa, onde estava foragido, para Cuiabá, e que não há novo risco de fuga. Que ele colaborou com as investigações ao depor por 3 horas e por entregar seu celular com a respectiva senha ao juízo.

Além disso, que ele é o único provedor do sustento da filha de quatro anos e que tem bons precedentes, residência fixa e predicados favoráveis. A defesa de Márcio, então, pediu que sua prisão seja substituída por medidas cautelares como proibição de se comunicar com outros investigados e com eventuais testemunhas.
 
A Operação foi deflagrada na terça-feira (20) e cumpre 20 ordens judiciais, entre mandados de prisão preventiva, buscas e apreensões, bloqueios de contas bancárias, sequestro de bens e restrições de veículos. A ação ocorre em Mato Grosso, Paraná e Paraíba, com apoio das Polícias Civis locais.
 
Além do casal, outros dois suspeitos ligados ao esquema também são investigados. Os envolvidos devem responder por crimes contra o patrimônio, contra as relações de consumo e associação criminosa, cujas penas somadas podem ultrapassar 13 anos de prisão.
 
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