Supervisor de Fiscalização e Monitoramento do Sistema Prisional de Mato Grosso, o desembargador Orlando Perri afirmou que o preço de um aparelho celular vendido dentro da Penitenciária Central do Estado (PCE) varia entre R$ 5 mil e R$ 20 mil. Perri fez duras críticas à corrupção instalada dentro das penitenciárias do estado, e cobrou medidas rigorosas para resolver o problema.
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Após a segunda fase da Operação Raio Limpo apreender, nesta segunda (14), 71 celulares dentro da PCE, maior cadeia de Mato Grosso e que abriga os principais líderes do Comando Vermelho no estado, Perri defendeu uma rigorosa fiscalização na entrada do sistema prisional, no sentido de que até o governador passe por scanner caso acesse alguma unidade.
Perri lembrou que a realidade lamentável dentro dos presídios acontece, também, porque pessoas em liberdade colaboram para isso ao lavarem os celulares para os detentos.
Em 2022, Mauro Mendes baixou decreto que proibiu a entrada dos aparelhos dentro do sistema prisional, medida que inclusive atingiu os policiais penais. Para o desembargador, então, deve haver um endurecimento de ações no sentido de se fazer cumprir a ordem do governador.
“Olha, eu defendo uma rigorosa fiscalização na entrada do sistema prisional. Eu defendo que juiz, promotor e até o governador passe por scanner. Todos devem ser vistoriados na entrada do dos nossos presídios. Nós sabemos esta é a realidade, que não são apenas os visitantes, os familiares, os amigos dos reeducandos que introduzem celulares para dentro do presídio. Nós sabemos lamentavelmente que existe corrupção dentro do sistema prisional. [...] as informações nos dão conta que varia de 5 a 20 mil reais. Se não mais”, disse Perri.
Ao ser indagado sobre como impedir os detentos de usarem aparelhos de celular, Perri também foi questionado se as tomadas de energia foram retiradas de dentro das celas, e se seria possível instalar câmeras de segurança dentro dos cubículos.
Enquanto supervisor do sistema prisional de MT, ele disse que, a princípio, monitorar o interior das selas não é possível, mas reafirmou a necessidade de que câmeras sejam instaladas nas entradas e saídas das cadeias, bem como onde for possível.
Também lembrou que ações estão sendo executadas para continuar a retirada das tomadas de dentro dos cubículos, porém, chamou os reeducandos de “Macgyvers”, porque eles sempre dão um “jeitinho” de burlar a fiscalização para acessarem os celulares.
“A princípio não. A princípio não. Mas nós temos que colocar câmeras principalmente na entrada para que a Secretaria de Segurança possa verificar se realmente o decreto do governador está sendo cumprido e todos, todos, sejam submetidos a vistoria [...] Agora, o que nós sabemos também é que dentro do sistema prisional nós temos o MacGyver's”, completou.
A segunda fase da Operação Raio Limpo, deflagrada pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) nesta segunda-feira (14), na Penitenciária Central do Estado, em Cuiabá, resultou na apreensão de 71 aparelhos celulares, 130 chips e porções de drogas.
Três dos celulares foram encontrados escondidos na cadeira de rodas de um preso condenado por roubo, tráfico de droga e outros crimes. Os aparelhos estavam entre a cobertura do couro sintético e a espuma dos suportes de proteção de pernas da cadeira de rodas.
Essa é a segunda intervenção de busca por materiais ilícitos nas instalações da unidade. Cerca de 120 agentes das forças seguranças do Estado atuaram na operação, sendo 60 policiais penais, 21 agentes da Polícia Judiciária Civil, 25 policiais militares e 11 peritos da Politec.