O autônomo bolsonarista R.D., condenado a pagar indenização a uma diarista que demitiu via WhatsApp por ela ter compartilhado dados sobre a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), já foi preso em flagrante por dirigir embriagado em Cuiabá, em março deste ano. Além disso, ele responde duas ações de execução fiscal ajuizada a seu desfavor pelo Município de Tangará da Serra, por dívidas de R$ 135.886,00 Seu nome está inscrito na Dívida Ativa da Fazenda Pública Municipal, para fins de ajuizamento do débito com o município.
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Juiz condena bolsonarista que demitiu trabalhadora por mensagem após vitória de Lula
Segundo o Boletim de Ocorrência que o Olhar Direto teve acesso, no dia 9 de março deste ano, R.D. caiu em uma blitz da Lei Seca na Avenida Isaac Póvoas, em Cuiabá, ocasião em que foi preso em flagrante por embriaguez ao volante. Ele conduzia uma caminhonete Amarok V6.
Durante a abordagem policial, realizou o exame do bafômetro, cujo resultado apresentou concentração de 0,41mg de álcool por litro de ar no pulmão. Ele foi solto após pagar fiança arbitrada em R$ 2.000,00.
Além disso, ele responde outras duas ações ajuizadas a seu desfavor pelo Município de Tangará da Serra, onde reside. Última movimentação de um dos processos foi no dia 21 de junho, quando a Procuradoria-Geral do Município requereu sua citação via edital para cobrar o débito atualizado de R$ 67.943,05.
Na outra ação que lhe cobra dívidas, o município requereu a mesma coisa, em fevereiro de 2023, cobrando-lhe citação sobre dívida de R$ 48.872,83.
“Por conseguinte, não havendo sucesso na citação executória pelo Sr. Meirinho, ante a ordem de preferência de angularização e entendimento exarado através da Súmula 414 do STJ, requer que seja deferida a citação via editalícia, com as cautelas de praxe e nomeação de um curador especial para a parte passiva”, assinou o Procurador do Município, Wesley Leandro Damasceno.
O nome de R.D. apareceu na imprensa nesta semana, após o juiz Márcio Vaz Curvo condena-lo a pagar R$ 14 mil de indenização por danos morais, após ele ter demitido uma diarista via WhatsApp, motivado por questões políticas, depois que ela compartilhou dados sobre a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2022.
A motivação foi o posicionamento político sobre a questão eleitoral compartilhado pela trabalhadora. "Boa noite Tatá, não precisa mais vir trabalhar tá bom. Vai vir outra pessoa a partir de amanhã... quem acha que roubar é bonito aqui em casa não entra.....vlw....e sem chororô por favor. Voto é livre assim como meu direito de escolher quem irá trabalhar pra mim. Boa noite", disse o bolsonarista na mensagem.
O magistrado se convenceu que demissão se deu de forma abusiva, motivada por discriminações políticas e eleitorais. Segundo os autos, a trabalhadora de Tangará da Serra postou uma imagem em seu status do aplicativo sobre apuração dos votos à Presidência. Logo após a postagem, ela foi dispensada.