A Justiça Estadual do Mato Grosso está analisando um caso que levanta suspeitas de retirada de bens da empresa Omega Transportes Rodoviário Ltda., que está em recuperação judicial por R$ 17 milhões em dívidas. Há indícios de que parte importante do patrimônio pode ter sido transferido para outras empresas ligadas aos próprios sócios, o que é expressamente vedado pela Lei nº 11.101/2005, de recuperação e falência.
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O alerta partiu de um credor, que apontou que as empresas ON Transportes Rodoviário Ltda e Sparta Transportes Rodoviário Ltda teriam sido abertas pouco antes e durante o processo de recuperação. Segundo ele, essas empresas teriam sido usadas para receber bens da Omega, principalmente veículos, com suposto objetivo de evitar quitar o débito milionário.
De acordo com o processo, cerca de 86% da frota da empresa foi transferida, inclusive caminhões considerados essenciais para o funcionamento do negócio. Essas transferências teriam ocorrido sem pagamento equivalente e com ligação entre sócios, familiares e gestores.
O Administrador Judicial, responsável por acompanhar o caso, apontou sinais de possíveis irregularidades e defendeu uma apuração mais detalhada. Um dos pontos que chamam atenção é o fato das transferências terem ocorrido enquanto a empresa já estava sob proteção da Justiça, período em que justamente se busca preservar o patrimônio. Além disso, não houve autorização judicial nem comunicação aos credores.
Diante da situação, o administrador sugeriu medidas imediatas, como impedir a venda dos veículos, solicitar documentos e buscar informações oficiais para esclarecer o caso. Também destacou que, se as irregularidades forem confirmadas, a recuperação judicial pode ser convertida em falência, além da possibilidade de investigação por crimes.
A Lei nº 11.101/2005 prevê punições para quem tenta enganar o processo de recuperação ou falência. Entre os principais crimes estão esconder ou desviar bens para não pagar dívidas, apresentar informações ou documentos falsos, vender ou transferir patrimônio de forma irregular e beneficiar alguns credores enquanto outros ficam sem receber. Essas práticas podem resultar em multa e até prisão, dependendo da gravidade.
O Ministério Público do Mato Grosso concordou com a necessidade de proteger os bens da empresa e aprofundar a análise. Por outro lado, avaliou que, até o momento, não há elementos suficientes para abrir uma investigação criminal. O caso segue em análise. A decisão da Justiça pode definir tanto a responsabilidade dos envolvidos quanto o futuro da empresa.