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Gambiarra com 'durepox' e alteração de velocímetro: dono de revendedora, empresário do 'tigrinho' é cobrado na Justiça em mais de R$ 400 mil

Da Redação - Pedro Coutinho

Acusado pela Polícia Civil de promover apostas ilegais por meio do chamado “jogo do tigrinho” e de lavar os lucros via empresas laranjas, Wilton Wagner Magalhães, proprietário da W-Car Multimarcas, em Várzea Grande, ostenta ainda dezenas ações na Justiça envolvendo a revenda de veículos com motores danificados, gambiarra com “durepox”, alteração de velocímetro e até carros alvos de busca e apreensão por inadimplência em contratos.

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O Olhar Jurídico apurou as informações contidas em 11 ações de rescisão contratual e indenizações por danos morais e materiais contra W-Car e Wilton, cuja somatória total dos pedidos indenizatórios totaliza R$ 431,4 mil. O modus operandi que resultou nos processos é padronizado: transações de veículos irregulares, venda de automóveis com defeitos mecânicos graves, ocultação de colisões anteriores e até adulteração de quilometragem.

Os relatos sustentam que Wilton prometia entregar os veículos em perfeito estado, contudo, logo após as respectivas entregas, os clientes eram surpreendidos com os defeitos insanáveis, os quais o empresário também se recusava a consertar ou restituir os valores pretendidos pelas vítimas.

Em alguns casos, os compradores efetuaram pagamentos para a quitação de financiamentos anteriores, mas os valores não foram repassados pela loja, resultando em cobranças indevidas e até na busca e apreensão dos bens na posse dos novos donos por dívidas que deveriam ter sido liquidadas pelos réus.

Noutra ocorrência, o comprador verificou que Wilton adulterou a quilometragem do carro adquirido. No documento apresentado pela empresa, constava a quilometragem de 82.001 quilômetros rodados em 2018, no entanto, após perícia, o painel do veículo quando apresentou problemas e, já em 2024, constava a quilometragem de 79.415 km.

Já outra cliente relata que, após retirar o carro da revendedora, percebeu diversos barulhos e fumaça vindos do motor e, após submetê-lo a um mecânico, flagrou que um buraco no radiador estava tampado com uma massa de ‘durepox’.

Outro cliente se indignou ao receber um oficial de Justiça em seu local de trabalho para apreender um veículo revendido pela W-Car, o qual, porém, estava indisponibilizado pela justiça por inadimplência do antigo proprietário. Neste caso, as parcelas eram pagas à empresa, que havia se comprometido a repassá-las direto ao banco. Porém, apenas partes foram repassadas à instituição, o que culminou na ação da Justiça.

Os R$ 431 mil totais cobrados de Wilton é correspondente à somatória das causas individuais, sendo uma ação de R$ 79.736,37 referente a um Toyota Corolla e outra de R$ 61.600,00. Outros processos apresentam valores expressivos como R$ 52.541,80 em uma busca e apreensão bancária, R$ 42.032,50, R$ 40.450,00, R$ 33.050,00, R$ 28.386,93, R$ 21.210,00, R$ 17.000,00 e outro de R$ 55.432,08.

Wilton Wagner e a influenciadora Jéssica Vasconcelos Magalhães, sua esposa, foram os principais alvos da Operação Aposta Perdida, deflagrada pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) na manhã desta quinta-feira (23).

A dupla é acusada de promover apostas ilegais por meio do chamado “jogo do tigrinho” e de lavar os lucros utilizando empresas e pessoas interpostas, conhecidas como “laranjas”.

Segundo as investigações, foi identificado um esquema estruturado de obtenção de valores ilícitos por meio da divulgação e intermediação de plataformas ilegais de apostas, não regulamentadas no país.

As apurações apontam que os investigados utilizavam redes sociais para promover os jogos, atraindo participantes com promessas de ganhos fáceis e elevados. O modelo apresentava características típicas de pirâmide financeira, em que os rendimentos dependem da entrada de novos usuários.

Apontado como principal articulador do esquema, Wilton Wagner exercia papel central na movimentação financeira e na ocultação dos valores ilícitos, utilizando empresas e bens de alto valor para dar aparência de legalidade aos recursos.

As investigações também indicaram que os valores obtidos eram dissimulados por meio de empresas de fachada, movimentações financeiras fracionadas e aquisição de bens de alto padrão, como imóveis de luxo e veículos importados das marcas BMW, Land Rover e Porsche, incompatíveis com a renda declarada.

Há ainda indícios do uso de “laranjas”, transações simuladas e conexões com plataformas e contatos internacionais ligados a fraudes digitais. Relatórios técnicos apontam movimentações milionárias, divergências fiscais e vínculos com outros investigados por crimes semelhantes.

No núcleo de divulgação, as investigações destacam o papel da influenciadora Jéssica Vasconcelos Magalhães e de sua irmã, que utilizavam suas redes sociais para promover as plataformas ilegais. Por meio de postagens frequentes, ostentação de supostos ganhos e divulgação de links, elas ampliavam o alcance dos jogos e atraíam novos usuários.
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