O juiz Wladymir Perri, atualmente lotado em Várzea Grande, acionou o jardineiro de 51 anos, que o acusa de ter-lhe ameaçado com uma arma na última quinta-feira (5) enquanto realizava um serviço no condomínio Belvedere, pedindo que ele apresente explicações sobre o episódio em juízo. O juiz anotou que J.B.O. ostenta processo por estupro de vulnerável e requer que responda sobre as características da suposta arma que teria apontado.
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Juiz nega que apontou arma para jardineiro e diz que trabalhador "estava armado" com serra elétrica durante suposta ameaça
De acordo com o boletim de ocorrência, o jardineiro prestava serviços em uma residência no condomínio, em Cuiabá, por volta das 7h30. O imóvel onde ele trabalhava é vizinho da casa do juiz Perri.
Segundo o relato do trabalhador à polícia, o magistrado teria se aproximado para reclamar do barulho e exigido que ele interrompesse o serviço. Em seguida, Perri teria ido ao carro estacionado, pegou uma arma de fogo e apontou na direção do jardineiro, proferindo ameaças caso ele não parasse com o barulho.
Assustado, J.B.O. cessou o serviço e foi até a delegacia registrar a denúncia. Ele também manifestou interesse em representar criminalmente contra o juiz Wladymir Perri.
Um dia depois do ocorrido, Perri acionou J.B.O. perante o juizado especial criminal de Cuiabá, por meio de uma notificação para explicações. Na peça, que o Olhar Jurídico teve acesso, o juiz requer que o jardineiro esclareça as denúncias contidas no Boletim de Ocorrência.
Em sua defesa, o magistrado contesta a versão, alegando que o objeto em sua posse era, na verdade, uma embalagem de pano de uma marca de calçados. Perri questiona detalhes específicos sobre a suposta arma e o veículo utilizado para sugerir que a acusação de calúnia é infundada.
O magistrado ainda sustenta que J.B.O. responde pelo delito de estupro de vulnerável pela 2ª Vara Criminal de Várzea Grande. Anotou ainda que, desde que teve filhos, somente usa arma quando viaja, pois, sua esposa não gosta do material bélico. Por fim, sugeriu que ele é quem fora ameaçado pelo jardineiro, que estava portando uma serra elétrica.
“Exatamente por isso, para que não paire qualquer dúvida sobre a verdadeira intenção do interpelado, com o registro do boletim de ocorrência, pois, de crime, pelo visto, o interpelado entende bem, já que responde pelo deleito de estupro de vulnerável pela 2ª Vara Criminal de V. Grande, então é que necessário, d.v., que explique, identifique e esclareça a acusação caluniosa registrada no boletim de ocorrência, sendo essa a razão pelo qual este subscritor se socorre ao Poder Judiciário para que tudo seja devidamente esclarecido”, nos termos do documento.
Desta forma, Perri solicitou que o jardineiro seja intimado para que, em 10 dias, responda as seguintes questões: Com qual arma teria sido ameaçado, ou seja, trata de uma pistola ou revolver e, ainda, qualquer outra arma? Essa eventual arma visualizada, consistia em uma arma oxidada ou cromada? Qual o momento exato que teria visualizado essa suposta; se arma visualizada tratava de um saco de pano estampado com a marca Mr. Cat; se desse objeto, foi retirada alguma arma, no caso qual seria e qual momento isso teria ocorrido.