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Acusado de liderar esquema milionário em licitações, vereador é mantido afastado do cargo por odem da Justiça

Da Redação - Pedro Coutinho

Acusado pela Operação Cenário Montado de persistir com fraudes em licitações mesmo após as ofensivas policiais, o vereador Rauflis Oliveira Mello (PSD), de Pontal do Araguaia, segue afastado do cargo por ordem do juiz Jeverson Luiz Quintieri, da comarca de Barra do Garças. Em ordem proferida nesta quarta-feira (28), o juiz rechaçou os argumentos da defesa de Rauflis, a qual tentou emplacar que ele não teria influência política para esquematizar fraudes em licitações, e que os desvios teriam ocorrido antes de se tornar vereador.

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O magistrado manteve o afastamento entendendo que Rauflis ocupava uma posição central no esquema e na associação criminosa, operado enquanto ele ainda era secretário municipal, inclusive executando as fraudes mesmo após as operações, com a criação de novas empresas de fachada em nome de familiares com intuito de burlar as suspensões judiciais anteriores.

A defesa argumentou que não havia ligação entre os crimes antigos e o mandato atual, porém a Justiça concluiu que a influência política do investigado poderia comprometer a coleta de provas e intimidar testemunhas, sendo prudente neste momento aguardar o depoimento de outros servidores arrolados para testemunharem sobre o caso.

Também foi apontado que as prerrogativas do cargo legislativo facilitaram Rauflis a interferir nas investigações da "Operação Cenário Montado", tornando o afastamento necessário para garantir a ordem pública. Assim, o juiz considerou insuficientes outras medidas cautelares, priorizando a proteção da instrução criminal diante da gravidade das condutas apontadas pela polícia.

“Ademais disso, embora a decisão cautelar tenha determinado a proibição de acesso do investigado a prédios públicos da Administração Municipal e a sistemas internos de gestão, o exercício do mandato de Vereador confere ao seu titular legitimidade institucional para requisitar informações, documentos e esclarecimentos sobre a gestão municipal, inclusive por meio de requerimentos formais, convocações e fiscalizações. Essa prerrogativa institucional pode, em tese, ser utilizada, ainda que indiretamente, para monitorar o andamento das investigações, identificar testemunhas colaboradoras e adotar estratégias de defesa que comprometam a efetividade da persecução penal”, diz trecho da ordem.

Além de Raufis, a Justiça afastou o servidor público Alessandro dos Santos, de Pontal do Araguaia, também sob suspeita de envolvimento no esquema, investigado em Pontal e Barra do Garças, municípios vizinhos.
 
A operação foi deflagrada no dia 26 de dezembro de 2025 e, conforme noticiado por Olhar Direto, as ordens judiciais foram expedidas pela 2ª Vara Criminal de Barra do Garças, com base em investigação que apontou que o vereador e o servidor exerciam papéis determinantes na operacionalização do esquema.

O esquema envolvia a manipulação de orçamentos, superfaturamento e simulação de concorrência, levando aos crimes de falsidade ideológica, associação criminosa, lavagem de capitais e crimes da Lei de Licitações. 

Diante das evidências, foi representado pelas ordens judiciais de afastamento das funções públicas assim como pela proibição de acesso dos investigados a prédios públicos da administração municipal, sistemas internos de gestão e processos administrativos, bem como a proibição de manterem contato com pessoas vinculadas aos fatos investigados. 

O nome da operação reflete a dinâmica do esquema fraudulento, em que empresas de fachada simulavam uma concorrência legítima em licitações públicas. O termo destaca o caráter forjado do processo, remetendo a algo previamente planejado para enganar a administração pública.
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