Alvo da Operação Cana Caiada, deflagrada nesta quinta-feira (27), a gigante de destilaria Libra Etanol já teve R$ 380 milhões bloqueados pela Justiça, que acatou em outubro solicitação do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de Mato Grosso (Cira-MT). Na ofensiva recente, a empresa sofreu mais bloqueios de bens móveis, imóveis, veículos e embarcações, que podem chegar a R$ 120 milhões.
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As ordens foram expedidas pela juíza Edna Ederli Coutinho, do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias, em Cuiabá. Investigações foram conduzidas pela Delegacia Fazendária (Defaz/PJC-MT) e pela 14ª Promotoria de Justiça Criminal.
As investigações indicam que o grupo, vinculado ao setor de destilarias de álcool, teria implementado um sistema sofisticado de blindagem patrimonial aliado a fraudes fiscais complexas, com o objetivo de sonegar tributos estaduais e gerar prejuízos milionários aos cofres públicos.
Na ordem de outubro, o objetivo era assegurar com as medidas adotadas o ressarcimento dos cofres do estado, uma vez que a Libra estaria deixando de pagar impostos, cometendo sonegação fiscal. O grupo acumula mais de R$ 470 milhões em débitos com o Estado de Mato Grosso e cerca de R$ 639 milhões em obrigações fiscais federais.
Na ocasião, as investigações foram realizadas pela Coordenadoria de Inteligência da Procuradoria-Geral do Estado (PGE-MT), que utilizou rastreamento financeiro, cruzamento de dados societários, análise de registros patrimoniais e transações imobiliárias. O trabalho revelou uma estrutura jurídica supostamente criada para dificultar a cobrança de tributos e atrapalhar as investigações. Um mês depois, a empresa entrou na mira penal pela Cana Caiado.
O delegado titular da Delegacia Fazendária, Walter de Melo Fonseca Júnior, destacou que o grupo é considerado devedor contumaz. “Utilizava estruturas jurídicas para esconder patrimônio e evitar o cumprimento da lei. A atuação do Cira-MT mostra que o combate aos crimes contra a ordem tributária exige investigação financeira e enfrentamento de esquemas empresariais sofisticados. Esse resultado reforça o compromisso com a proteção do interesse público.”
Com o avanço das investigações, o Comitê revelou que a empresa é suspeita de sonegar centenas de milhões por pelo menos uma década.
Segundo o delegado, a ação policial se concentrou nas sedes administrativas da empresa em Cuiabá, embora a sede principal esteja localizada em São José do Rio Claro. Ele destacou ainda que os sócios majoritários foram alvos de mandados de busca e apreensão, com o objetivo de coletar provas para dar continuidade às investigações.
A Libra Etanol já havia sido alvo de medidas judiciais, como o bloqueio de bens e patrimônio para garantir o pagamento das dívidas com o Estado. No entanto, diante da falta de resposta da empresa e da identificação de novos crimes, a Secretaria de Fazenda acionou novamente a polícia.