Imprimir

Notícias / Civil

Após alegar falsificação, "Rei do Algodão" reconheceu assinatura em ação de R$ 95 milhões envolvendo Zampieri

Da Redação

O empresário José Pupin, conhecido como o “Rei do Algodão” e em recuperação judicial há mais de uma década, voltou a protagonizar um episódio que reforça seu histórico de controvérsias jurídicas. Documentos judiciais mostram que Pupin acusou o escritório Bettiol Advogados de falsificar sua assinatura em um contrato de honorários advocatícios, mas recuou e reconheceu a autenticidade do documento após acordo homologado pela Justiça de Mato Grosso.

Leia mais:
Éder acusa promotores de abuso de poder, se arrepende de depoimentos e tenta anular quase 200 anos de condenação; STF nega


O caso está ligado à compra da Fazenda Reunidas, também conhecida como Gleba Guerreiro, adquirida por Pupin em 2011 por cerca de R$ 95 milhões, uma transação que já havia se tornado símbolo de litígio e controvérsia judicial. A operação envolveu diferentes advogados e intermediários, entre eles Roberto Zampieri, posteriormente morto e investigado na Operação Sisamnes, e deu origem à ação declaratória na 5ª Vara Cível de Cuiabá, movida pelo próprio Pupin.

Na petição inicial, o empresário pediu a declaração de ineficácia do contrato firmado com a Advocacia Bettiol, sob o argumento de que sua assinatura havia sido “falsificada” ou “montada”. Sustentava ainda ter sido induzido em erro e exigia a restituição em dobro de valores pagos. Entre os réus, estavam Roberto Zampieri e Valdir Piran, além do próprio escritório Bettiol.

Anos depois, em um acordo assinado digitalmente em setembro de 2023, José Pupin reconheceu que a Advocacia Bettiol não praticou qualquer conduta ilícita e retirou todas as acusações apresentadas no processo. 

“As partes também reconhecem que a Advocacia Bettiol não praticou nenhuma conduta ilícita, inexistindo nos autos qualquer fato ou fundamento que indique a existência de falsidade ou montagem de assinatura no contrato de prestação de serviços praticado pela Advocacia Bettiol”, afirmou.

O documento também registra que Pupin desiste de forma expressa e irrevogável de qualquer pretensão contra a Bettiol, reconhecendo a validade integral do contrato e encerrando a disputa. A alegação de falsificação teve como consequência suspender temporariamente cobranças e obrigações contratuais em meio ao processo de recuperação judicial, no qual Pupin acumula dívidas superiores a R$ 5 bilhões.

O acordo com a Bettiol foi firmado no mesmo ano de 2023 em que José Pupin assinou um contrato de R$ 12 milhões com o advogado Roberto Zampieri, também relacionado à defesa de seus interesses em processos ligados à Fazenda Reunidas. Poucos meses depois, Zampieri seria citado nas investigações da Operação Sisamnes, que apura suposto tráfico de influência no Judiciário de Mato Grosso. 

Naquele caso, Zampieri intermediou a transação e obteve junto ao desembargador Sebastião Moraes uma liminar de imissão de posse em favor de Pupin, posteriormente cassada pelo ministro Raul Araújo, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Após a reversão, Pupin passou a alegar que fora enganado e processou todos os envolvidos, inclusive o próprio Zampieri, alegando falsidade contratual.

Mesmo após o litígio, Pupin voltou a contratar o advogado em 2023, agora com remuneração milionária, com parcelas mensais de até R$ 200 mil e teria direito a R$ 4 milhões em bônus por êxito.
Imprimir