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Notícias / Criminal

Unimed Cuiabá pagou R$ 2,7 mi a empresa fantasma, pegou empréstimo de R$ 33 mi e contratou amiga de ex-gestora

Da Redação - Pedro Coutinho

Com a retirada do sigilo das investigações que culminaram na Operação Bilanz, em outubro do ano passado, o Ministério Público Federal (MPF) revelou que os ex-administradores da Unimed Cuiabá, acusados de rombo de R$ 400 milhões, teriam assinado contratos milionários com empresas de fachada para desviarem o dinheiro da cooperativa. Alyander Bielik Rubio EIRELI e a Tharine Rocha Arquitetura nunca prestaram os serviços para os quais foram contratadas. O caso mais expressivo envolve assinatura com a Arche Negócios Ltda, numa operação financeira que resultou em liberação de R$ 33 milhões em créditos e possível desvio de quase R$ 1 milhão.


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A operação, deflagrada em outubro de 2024, cumpriu mandados de busca e apreensão e resultou inicialmente na prisão de investigados, medida posteriormente revogada pela Justiça.

São eles: Rubens Carlos de Oliveira Junior (ex-presidente); Suzana Aparecida Rodrigues dos Santos Palma (ex-diretora financeira); Jaqueline Proença Larrea (ex-chefe jurídica); Eroaldo de Oliveira (ex-CEO); Ana Paula Parizotto (ex-superintendente); e Tatiana Gráciele Bassan Leite (ex-chefe de monitoramento). 

Para promoverem os supostos desvios, o grupo, que geriu a cooperativa entre 2019 e 2023, realizou contratos suspeitos com as empresas Alyander Bielik Rubio Eireli (fantasma) e Thairine Rocha Arquitetura.

Constituída como especializada em limpeza, Alyander Bielik recebeu R$ 2.7 milhões da Unimed Cuiabá  sem, contudo, prestar os serviços contratados. Funcionários relataram nunca ter visto a empresa atuando na cooperativa. Com relação a essa empresa, a investigação logrou corroborar a suspeita de que se trata de uma “fantasma”, já que não foram localizadas provas de atividade econômica, consoante teor da Ata Notarial, extrato sobre os dados da empresa e relatório de diligência.

A especializada em arquitetura é propriedade da esposa de Alyander, que, por sua vez, é amiga íntima de Jaqueline Proença – acusada de ter fraudado a contratação – e recebeu R$ 166,4 mil por projetos que, segundo testemunhas, nunca foram realizados. Documentos teriam sido antedatados para ocultar as irregularidades antes da posse da nova diretoria, que teria se apropriado da alteração para desviar os montantes gerados pelo contrato.

Outro caso envolve a Arche Negócios Ltda, acusada de receber R$ 700 mil por uma intermediação fictícia em um empréstimo de R$ 33 milhões junto ao Sicoob Credicom. A própria instituição financeira negou qualquer participação da Arche na negociação. O pagamento foi autorizado pela então superintendente Ana Paula Parizotto, que raramente fazia lançamentos diretos no sistema, segundo depoimentos.  Além disso, o MPF apurou depósitos bancários não identificados e fracionados em favor dos ex-dirigentes, indicando possível lavagem de dinheiro. 

Na semana passada, a Justiça Federal, a pedido do procurador responsável pela denúncia, Pedro Melo Ribeiro, retirou o sigilo dos autos.

Os ex-dirigentes da entidade são investigados por falsidade ideológica; 38 estelionatos por simulação contratual; estelionato por simulação de comissão envolvendo a empresa Arché Negócios; estelionato por superfaturamento e aditivos irregulares envolvendo o grupo H. Bento; crime contra a economia popular; um crime de patrocínio simultâneo; um crime de lavagem de capitais de forma reiterada; e um crime de organização criminosa.
 
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