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Grupo apontado como responsável pela morte de Zampieri tem 'letalidade potencial imensurável', afirma Zanin

Da Redação - Pedro Coutinho

“Letalidade potencial imensurável”: pontuou o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), para decretar a prisão e o monitoramento dos integrantes do C4, grupo de extermínio e espionagem denominado “Comando Caça Comunistas, Corruptos e Criminosos”. O Comando foi descoberto pela Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (28), durante a 7ª fase da Sisamnes, operação que investiga os mandantes do assassinato do advogado Roberto Zampieri, em Cuiabá, e o esquema venda de decisões no Poder Judiciário Nacional que os dados de seu celular revelaram.

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A ofensiva foi autorizada por ordem do ministro e resultou na prisão de cinco suspeitos em Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais.  Foram presos o produtor rural e suposto mandante Manoel Laurindo, o suposto financiador, Coronel Luiz Caçadini, o atirador Antônio Gomes da Silva, o possível intermediador e dono da arma, Hedilerson Barbosa e um quinto nome, Gilberto Louzada da Silva. Com exceção deste último, todos os demais já haviam sido alvos da Polícia Civil em 2024, inclusive, Caçadini, Antônio e Hedilerson são réus pelo envolvimento no homicídio e estão detidos na capital.

Na mesma ordem, Zanin impôs tornozeleira eletrônica a Salezia Maria Pereira de Oliveira, Davidson Esteves Nunes, Peterson Venites Komel Júnior e José Geraldo Pinto Filho, possíveis integrantes do grupo.

A partir das informações coletadas pela Polícia Civil, com destaque para as anotações na agenda do Coronel, vieram à tona indícios dando conta da existência da organização armada autointitulada Comando C4, possivelmente constituída por Caçadini e militares (da ativa e da reserva), bem como civis, com o escopo de obter dinheiro mediante a prática de crimes, como homicídio e espionagem, sendo a possível responsável pela morte de Zampieri.
 
Foi durante o cumprimento dos mandados de prisão que os agentes federais descobriram a existência do grupo. Uma tabela contendo informações das “atividades administração, pessoal, material e equipamento” foi apreendida. Nela, consta a tabela de preços que os membros do C4 cobravam para espionar ou cometer algum crime contra figuras normais (R$ 50 mil), deputados (R$ 100 mil), senadores (R$ 150 mil) e ministros/judiciário (R$ 250 mil).  

O nome do Senador Rodrigo Pacheco (PSD) é mencionado como um dos alvos de interesse do grupo. O motivo ainda não foi revelado. Dentre o pessoal do grupo deveria conter três hackers especialistas em informática, uma equipe de inteligência nacional, núcleo para levantamento dos alvos, cinco células para reconhecimento e operações, sendo uma equipe na Receita Federal.

Para a executar as atividades, o C4 contava com material e equipamentos bélicos, como 5 fuziz de snipper com silenciador, 15 pistolas com silenciador, munição, lança rojão, minas magnéticas e explosivos com denotação remota, fuzis para lançamento de dardos. Além disso, cinco veículos Doblôs usados e outros cinco carros médios, todos com placas frias.

Para a comunicação, o C4 contava com rastreadores veiculares e telefones satelitais para a rede. Dentre os custos constam locação de aparelhos temporários como casas ou apartamentos, uso de garotas de programas como iscas para os alvos e materiais de disfarce como perucas e bigodes, além de dois drones.

Foi na ordem que decretou a prisão deles, no contexto da existência do C4, que Zanin destacou a “letalidade potencial da organização imensurável, dada sua elevada capacidade operacional e bélica, notadamente porque integrada por agentes que pertencem ou pertenceram às Forças Armadas e que receberam treinamento militar especializado”, anotou o ministro.

“Assim, a hipótese criminal se reveste de gravidade extrema, a justificar resposta imediata desta Suprema Corte. A reiteração criminosa necessita ser obstada. A representação policial trouxe elementos suficientes conducentes à existência de fatos contemporâneos que justificam a aplicação da medida pleiteada (prisão preventiva e demais cautelares)”, completou.
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