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Mulher que matou cabo da PM por não aceitar traição e filho fora do casamento será submetida a júri popular

Da Redação - Amanda Divina

Juliane Rodrigues de Almeida foi pronunciada pela Justiça e irá a julgamento pelo Tribunal do Júri, acusada de matar o próprio marido, o cabo da Polícia Militar Walber Diego Coene, após ele revelar ter tido um caso extraconjugal no ano passado em Cuiabá. A decisão é da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, proferida pela juíza Helícia Vitti Lourenço.

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O crime ocorreu na madrugada de 27 de janeiro de 2024 na residência do casal, localizada no bairro Morada da Serra, em Cuiabá. Segundo a denúncia, Walber revelou, durante uma reunião com familiares e amigos, que havia mantido um relacionamento extraconjugal quatro anos antes e que desse relacionamento nasceu um filho. Após a saída dos convidados, o casal teria discutido, momento em que Juliane, tomada por ciúmes e inconformismo, teria se apossado da arma do marido e efetuado um disparo.

De acordo com os autos, a acusada chegou a afirmar, em depoimento, que agiu em legítima defesa, relatando uma luta corporal com a vítima. Contudo, perícias técnicas apontam inconsistências na versão da ré e descartam a hipótese de suicídio ou de tiro acidental. O laudo pericial confirmou que Walber foi atingido por um disparo com arma de fogo posicionado a uma distância superior a 60 cm do corpo, o que reforça a tese de ação intencional.

Na decisão, a juíza entendeu que não há elementos suficientes para absolver sumariamente a acusada ou para desclassificar o crime para homicídio culposo. Juliane foi pronunciada pelo crime de homicídio qualificado por motivo torpe, com agravantes de relação doméstica, conforme os artigos 121, §2°, inciso I, e 61, inciso II, alínea “e”, do Código Penal, e as implicações da Lei dos Crimes Hediondos (Lei 8.072/1990).

Apesar da gravidade dos fatos, a magistrada permitiu que a acusada respondesse ao processo em liberdade, já que não há indícios de fuga ou prática de novos delitos.

O processo será redistribuído para a 1ª Vara Criminal de Cuiabá, responsável pelos julgamentos do Tribunal do Júri. Ainda não há data definida para o julgamento.
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