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Notícias / Criminal

Desembargador cita risco à integridade física e nega transferir Carlinhos Bezerra a cela comum da PCE

Da Redação - Arthur Santos da Silva

O desembargador Pedro Sakamoto, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), concedeu liminar no dia 21 de julho, suspendendo transferência de Carlinhos Bezerra à Penitenciária Central do Estado (PCE). O paciente, que é réu por feminicídio, teria brigado com detento da penitenciária em que está. Porém, a transferência, segundo decisão, pode trazer riscos à integridade de Carlinhos.

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Decisão de instância inferior havia determinado “a transferência do Paciente da sala de Estado Maior da Penitenciária Major Eldo de Sá Corrêa (presídio de Mata Grande) para cela comum na Penitenciária Central do Estado, sob o fundamento de ter se envolvido vias de fato com outro detento”.
 
Defesa recorreu ao TJMT afirmando que a medida seria inadequada tendo em vista que não foi oportunizado ao paciente e sua defesa técnica se manifestarem, o que fere o direito à ampla defesa e ao contraditório.
 
Ressaltou ainda que Carlinhos já havia sido transferido da unidade prisional da capital, em fevereiro, para a penitenciária Major Eldo de Sá, em Rondonópolis, justamente porque sofreu “inúmeras ameaças, extorsões e agressões naquela unidade prisional por líderes de facções locais”.
 
Assim, advogados requereram  a concessão de liminar para que “o ato coator seja, desde já, anulado e o Paciente possa permanecer na Penitenciária Eldo de Sá Corrêa”.
 
Em sua decisão, Sakamoto salientou que, Carlinhos foi transferido porque em Cuiabá, “ao que transparece, poderia ocorrer prejuízo a sua integridade física, de modo que não me parece adequado, de plano, determinar o seu retorno para a mesma unidade prisional”.
 
“Ante o exposto, defiro a liminar vindicada, para suspender por ora a decisão da autoridade judiciária impetrada, até julgamento final”, determinou.
 
Mortes
 

Carlos Alberto Gomes Bezerra é acusado feminicídio qualificado contra Thays Machado e homicídio qualificado contra Willian Cesar Moreno. 
 
Carlos Alberto Gomes Bezerra manteve um relacionamento amoroso por cerca de dois anos com a vítima Thays Machado, chegando a morar com a vítima. Em dezembro de 2022, Thays rompeu o relacionamento. Desconfiado de que ela estava com outro, o denunciado “passou a vigiá-la mais intensamente ainda, monitorando-a a todo tempo através de ligações, aplicativos de rastreamento, já planejando a sua morte”. 

Em janeiro de 2023, ela iniciou novo relacionamento com Willian Cesar Moreno. No dia 18 de janeiro, Thays foi com o carro da mãe buscar o namorado no aeroporto. Utilizando os mecanismos de rastreamento a que tinha acesso, Carlos a seguiu até Várzea Grande, acompanhou o desembarque do namorado, e seguia o carro na volta quando foi percebido pelo casal. A mulher ligou para o Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp), registrou o caso na Central de Flagrantes, mas Carlos conseguiu fugir. 

Na mesma data, durante a tarde, Thays e Willian foram até o prédio da mãe dela para devolver o carro. Depois de deixar as chaves do veículo da mãe na portaria do prédio, Thays e Willian caminharam até a calçada na frente do edifício para chamar um Uber. 

“No momento em que viu Thays e Willian na calçada, Carlos aproximou-se abruptamente com o veículo e, de dentro do carro mesmo, pela janela, efetuou diversos disparos com a arma de fogo que possuía (uma pistola Taurus, .380) em direção a Thays, inclusive pelas costas. Enquanto Carlos efetuava os diversos disparos em direção da vítima Thays, Willian começou a correr rapidamente pela calçada tentando distanciar-se do agressor, mas Carlos fez nova manobra no veículo, aproximou-se de Willlian e realizou diversos outros disparos em direção a ele”, consta na denúncia. 
 
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