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Juiz suspeita que testemunhas tenham omitido relatos e determina perícia em vídeos do local em que PM foi morto

Da Redação - Pedro Coutinho

Por suspeitar que testemunhas presenciais estariam omitindo relatos, o juiz Wladymir Perri, da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, deu 45 dias para a Politec periciar os vídeos do interior da conveniência onde o investigador da Polícia Civil, Mario Wilson Gonçalves, assassinou o policial militar Thiago de Souza Ruiz.  O crime aconteceu no dia 27 de abril, em um posto de combustível próximo ao Choppão, em Cuiabá. Mario tomou a arma de Tiago por não acreditar que o ele integrava a PM.

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Conforme assegurado na decisão, o magistrado estaria desconfiado que as funcionárias da conveniência (testemunhas presenciais), omitiram relatos quando prestaram depoimento aos policiais que atenderam a ocorrência.

“Ao que tudo indica, estão omitindo relatos do fato ocorrido, eis que, do vídeo, em todo momento observo que ficaram atrás do balcão ouvindo as manifestações de bebedeira até o momento da ausência de inteligência cujo culminou no fato delituoso (Homicídio)”, escreveu Perri na decisão.

Diante disso, ele deu 45 dias para que a Politec realize diligência para periciar os vídeos do local do crime, com objetivo de averiguar possíveis edições totais ou parciais, bem como eventuais irregularidades nas imagens. Ele determinou, então, degravação dos diálogos entre os interlocutores que aparecem no registro.

Além do mais, determinou a identificação dos policiais que atenderam ao caso para que sejam inquiridos como testemunhas do juízo se necessária realização de acareação.

As determinações do magistrado foram proferidas na mesma decisão que recebeu a denúncia movida pelo Ministério Público (MPE) contra Mário. O órgão ministerial apresentou duas qualificadoras: utilização de recurso que dificultou a defesa da vítima, que foi atingida por disparos de arma de fogo, e motivo fútil. 

Informações apontam que Mario foi até a conveniência do posto Conte Comigo, na companhia de outro amigo. No estabelecimento, eles encontraram Thiago, que também estava com um colega, porém não conhecia o investigador.

O amigo de Mario percebeu que o investigador e o cabo da PM teriam se "estranhado", sendo que o policial civil passou a desconfiar se Thiago era realmente policial militar.

Ambos acabaram se reunindo com os demais colegas para tomarem uma cerveja. Durante conversa, Thiago e Mario contavam algumas histórias das suas carreiras policiais e fizeram questionamentos um para o outro.

Outra testemunha relatou que Thiago e Mario estavam conversando sobre situações de confronto e que Mario afirmou que "em situação de confronto, passaria por cima de qualquer um e não consideraria amizade".

Após uma das histórias, Thiago levantou a camisa e disse "inclusive eu tenho uma cicatriz aqui", e apontou para um ferimento antigo próximo à axila.

Ao levantar a camisa, o armamento de Thiago ficou exposto na cintura. O policial civil pegou a arma com as mãos e disse "vou chamar a Polícia Militar para averiguar a sua arma". Consta no documento que o investigador desconfiava que a arma seria ilegal.

Thiago tentou pegar a arma dele novamente e acabou entrando em luta corporal com Mario. O cabo da PM foi atingido com cinco tiros, a maioria nas costas. Ele conseguiu correr alguns metros, mas devido aos ferimentos, caiu no chão e morreu.
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