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Notícias / Criminal

Lateral que defendeu o Operário organizou manipulação do número de escanteios em jogo contra o Luverdense

Da Redação - Pedro Coutinho

Interceptações do Ministério Público de Goiás no celular do lateral-esquerdo Denner Barbosa revelaram que o atleta recebia R$ 5 mil mensais para praticar manipulações em jogos do futebol brasileiro. Em conversa com o líder do esquema, identificado como Bruno Lopez, eles acertam determinado número de escanteios em um jogo entre Luverdense e Operário, no campeonato Mato-grossense, e derrota no primeiro tempo do Goiânia para o Goiás, no Goiano. O diálogo foi interceptado no âmbito da Operação Penalidade Máxima.

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Revelado pelo Corinthians, o lateral de 29 anos só disputou três partidas pelo time profissional no Brasileirão de 2012. Como não se encaixou no Timão, foi emprestado para diversas outras equipes, como Portuguesa, Figueirense e Atlético-Go. Em 2023, ano da Penalidade Máxima, o jogador fez dois jogos pelo Operário de Várzea Grande.

“Ele me dá 5 conto mensal mesmo se for mês que não tem operação”, disse Denner Barbosa numa mensagem enviada à Bruno Lopez no dia 11 de fevereiro de 2023, referindo-se a outro apostador. Os trechos foram revelados nesta segunda-feira (15) pelo GE do Rio de Janeiro.

Denner falou com Bruno para manipular dois jogos. Um no campeonato Mato-grossense, entre Luverdense e Operário, ocorrido em 11 de fevereiro. A partida está sob investigação por manipulação no número de escanteios, o que foi revelado pela interceptação da conversa entre os dois.

Em campo, o Operário VG bateu o Luverdense por 2 a 0, em duelo realizado no estádio Passo das Emas, válido pela sexta rodada do Mato-grossense.
 
Segundo duelo envolvido no esquema ocorreu entre Goiânia e Goiás, no dia 12 de fevereiro. Os diálogos revelaram que Denner e Bruno acertaram que o Goiânia deveria ser derrotado para o adversário ainda no primeiro tempo.

Segundo os promotores, as ofertas dos aliciadores variavam entre R$ 50 mil e R$ 100 mil. Bruno é acusado pelo MP de Goiás de chefiar o esquema. Ele foi preso no bojo da operação. Ao total, são 15 atletas denunciados pelo órgão ministerial.
 
Defesa de Denner negou ao GE que ele tenha participado da manipulação, e afirmou que apenas fingiu atuação para cobrar dívida de Bruno.

Quando o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado confirmou que houve manipulação no duelo entre os times de Mato Grosso, no dia 18 de abril, o Luverdense e Operário emitiram comunicado oficial, cada um, afirmando que iriam contribuir com as investigações. Negaram, porém, que pudesse ter ocorrido adulterações nos números dos jogos.

Penalidade Máxima

A segunda fase da Operação Penalidade Máxima foi deflagrada no dia 18 de abril visando a obtenção de novos vestígios da atuação de organização criminosa com atuação especializada na manipulação de resultados esportivos de jogos de futebol profissional.

Cinco partidas dos campeonatos Goiano, Gaúcho, Mato-Grossense e Paulista, estão sendo investigadas. Dentre elas, o empate em 1 a 1 entre Verdão e Dourado, ocorrido no dia 6 de novembro na Arena Pantanal, pela 36 rodada do Brasileirão, em Cuiabá.

No bojo das investigações, foram cumpridos 3 mandados de prisão preventiva e 20 mandados de busca e apreensão em 16 municípios de 6 estados, expedidos pela 2ª Vara Estadual dos Feitos Relativos a Delitos Praticados por Organização Criminosa e Lavagem ou Ocultação de Bens Direitos e Valores. 

Trata-se de desdobramento da Operação Penalidade Máxima, deflagrada em fevereiro de 2023 a qual resultou no oferecimento de denúncia, já recebida pelo Poder Judiciário, com imputação dos crimes de integrar organização criminosa e corrupção em âmbito desportivo.  

Derrota no primeiro tempo, número de escanteios e de cartões rendia até R$ 100 mil para jogador participante do esquema. Conforme já apurado, o grupo criminoso atuou mediante cooptação de jogadores profissionais de futebol.

 
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